Um levantamento da Plan International Brasil mostra os impactos da gravidez ocorrida na infância e na adolescência sobre a trajetória de vida das mulheres brasileiras. Segundo a pesquisa, 83% das mulheres que engravidaram entre 10 e 19 anos tiveram a trajetória profissional afetada, enquanto 61% interromperam os estudos.
O estudo, intitulado “Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil”, ouviu 1.500 mulheres entre 19 e 29 anos, de diferentes regiões do país, além de realizar 50 entrevistas em profundidade.
A pesquisa não entrevistou meninas de 10 anos. A faixa etária de 10 a 19 anos corresponde ao período da vida em que as entrevistadas tiveram a gravidez, permitindo analisar, já na fase adulta, as consequências dessa experiência sobre suas trajetórias.
De acordo com o levantamento, a gravidez precoce está relacionada a impactos que vão além da maternidade, atingindo áreas como educação, trabalho, renda, autonomia, saúde e oportunidades. A interrupção dos estudos e a necessidade de assumir responsabilidades de cuidado podem dificultar a entrada e a permanência no mercado de trabalho.
O estudo também aponta que a gravidez na infância ou adolescência pode aumentar a vulnerabilidade a situações de casamento precoce, perda de autonomia e desigualdade econômica.
Milhões de mulheres foram mães antes dos 20 anos
Dados apresentados no levantamento indicam que o Brasil tem cerca de 3,5 milhões de mulheres que foram mães entre os 10 e os 19 anos.
Somente em 2022, foram registrados cerca de 14 mil nascimentos de bebês cujas mães tinham até 14 anos. Entre essas mães, 16% foram declaradas casadas.
A pesquisa chama atenção para o fato de que a gravidez na infância e na adolescência pode deixar consequências que permanecem durante a vida adulta. Para a Plan International Brasil, os impactos são agravados por desigualdades sociais e podem limitar o acesso à educação, ao trabalho e à autonomia econômica.
O estudo tem como obijetivo apontar que o enfrentamento da gravidez precoce não deve se limitar à prevenção da gestação. Também é necessário garantir educação, acesso à saúde, proteção contra violências, permanência na escola e oportunidades para que meninas e adolescentes possam construir seus próprios projetos de vida.
Fonte: Plan International Brasil


