Por: Gaby Santana
As tensões no Oriente Médio seguem elevadas após Irã e Estados Unidos rejeitarem, nesta segunda-feira (6), uma proposta de cessar-fogo apresentada pelo Paquistão. O governo iraniano, por sua vez, confirmou que já encaminhou uma contraproposta diplomática.
O plano paquistanês previa um cessar-fogo imediato entre as partes, seguido de negociações para um acordo mais amplo em até 20 dias. A proposta também abria caminho para a possível reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, fechado há mais de um mês e considerado essencial para o transporte global de petróleo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a classificar a iniciativa como um “passo significativo”, mas afirmou que os termos ainda são insuficientes. Segundo ele, há expectativa de avanços rápidos nas negociações, com um prazo estabelecido para que o Irã reabra a rota marítima até esta terça-feira (7).
Do lado iraniano, a sinalização é de rejeição a acordos temporários. De acordo com a agência estatal IRNA, o país defende o fim definitivo do conflito, sem pausas que possam permitir uma reorganização militar dos adversários.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a prioridade de Teerã é encerrar a guerra de forma permanente. “Estamos pedindo o fim da guerra e que se impeça sua repetição”, declarou.
A contraproposta iraniana já foi apresentada ao Paquistão, mas seus detalhes ainda não foram divulgados. Nos bastidores, autoridades indicam que o país não aceita reabrir o Estreito de Ormuz dentro de um acordo provisório nem trabalhar sob pressão de prazos externos.
O plano original, também chamado de “Acordo de Islamabad”, previa duas etapas: primeiro, a interrupção imediata dos ataques; depois, um prazo entre 15 e 20 dias para consolidar um acordo definitivo, possivelmente envolvendo compromissos do Irã sobre seu programa nuclear em troca de alívio de sanções econômicas.
Apesar das negociações, o cenário segue incerto. O conflito envolve ainda Israel, aliado dos Estados Unidos, que possui demandas próprias e pode influenciar diretamente os desdobramentos de qualquer acordo.
A proposta foi articulada com intensa mediação diplomática. Segundo fontes internacionais, o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, manteve contato direto com autoridades americanas, como JD Vance e Steve Witkoff, além do chanceler iraniano Abbas Araqchi.
O impasse ocorre em meio à crescente preocupação internacional com os impactos do conflito, especialmente no fornecimento global de petróleo, diretamente afetado pela situação no Estreito de Ormuz.
