Por: Gaby Santana
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmam receber com “indiferença” as novas e repetidas ameaças vindas de autoridades do governo Donald Trump. Segundo um magistrado ouvido, “aos poucos, a ficha deles vai caindo para perceber que essa chantagem não mudou, nem mudará, nada nas atitudes do tribunal”.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e começará a cumprir sua pena em regime fechado assim que os embargos apresentados por sua defesa forem julgados. A possibilidade de anistia enfrenta resistência no Congresso, principalmente no Senado, e um eventual indulto presidencial seria derrubado pelo próprio STF, segundo outro ministro.
Preparados para enfrentar sanções da Lei Magnitsky, que visa punir financeiramente indivíduos por violações de direitos humanos, os magistrados afirmam ter segurança de que poderão seguir suas vidas normalmente, apesar de possíveis dificuldades pontuais. O comprometimento do tribunal ficou evidente com a presença dos ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso durante a sessão de julgamento de Bolsonaro, mesmo não fazendo parte da Primeira Turma responsável pelo caso.
Após a condenação, o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, afirmou em suas redes sociais que “as perseguições políticas pelo violador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam, enquanto ele e outros membros do STF decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro”, acrescentando que “os Estados Unidos responderão adequadamente a esta caça às bruxas”. Outras autoridades e parlamentares republicanos também manifestaram críticas.
Donald Trump se declarou surpreso com o resultado, mas não informou se aplicará novas sanções aos ministros do STF. Já deputados democratas americanos lançaram uma carta, na noite de quinta-feira (11), afirmando que o ex-presidente americano abriu uma “guerra comercial” para proteger Bolsonaro, e pedindo o fim imediato de esforços para minar a democracia brasileira.
O documento, assinado por Gregory W. Meeks, Joaquin Castro e Sydney Kamlager-Dove, destaca que Bolsonaro foi considerado culpado de conspirar para derrubar os resultados das eleições presidenciais de 2022 e que os Estados Unidos devem apoiar o povo brasileiro na superação desta ameaça à democracia. Segundo os parlamentares, as ações de Trump também prejudicam famílias americanas e os interesses econômicos do país, já que o Brasil intensifica suas exportações para a China em detrimento dos EUA.
Fonte: Politica livre
