Por Gaby Santana
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quarta-feira (7) cinco casos de hantavírus ligados ao navio de expedição MV Hondius, que realiza uma viagem pelo Atlântico Sul após partir de Ushuaia, na Argentina. O episódio mobiliza autoridades sanitárias internacionais após o registro de três mortes entre passageiros da embarcação.
Segundo a OMS, o surto envolve a variante Andes do hantavírus, considerada rara e a única cepa conhecida com possibilidade de transmissão entre humanos, embora especialistas afirmem que esse tipo de contágio ocorre apenas em situações específicas de contato próximo e prolongado.
O navio pertence à operadora holandesa Oceanwide Expeditions e transportava cerca de 150 pessoas de diferentes nacionalidades, incluindo passageiros britânicos, americanos, espanhóis e franceses. A embarcação permaneceu ancorada próximo a Cabo Verde nos últimos dias e segue agora em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, onde passageiros deverão passar por avaliação sanitária.
De acordo com informações divulgadas pela Reuters e confirmadas pela OMS, as vítimas fatais são um casal holandês e uma passageira alemã. No entanto, apenas uma das mortes teve confirmação laboratorial direta para hantavírus até o momento. As demais seguem sob investigação.
Autoridades de saúde de ao menos 12 países iniciaram o rastreamento de passageiros e contatos próximos após parte das pessoas desembarcar antes da confirmação oficial do surto. Os monitoramentos envolvem órgãos sanitários dos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Suíça e Singapura.
A principal hipótese investigada é que os primeiros passageiros tenham sido infectados antes mesmo do embarque, durante atividades turísticas na região da Patagônia, na América do Sul, onde há circulação conhecida do vírus em roedores silvestres. A OMS também apura se houve transmissão dentro da embarcação.
Apesar da repercussão internacional, a OMS afirmou que o cenário não representa risco de pandemia semelhante à Covid-19. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que o risco global segue considerado baixo.
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, saliva ou fezes de roedores contaminados. Em humanos, pode causar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, doença grave que compromete pulmões e coração e pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória.
Fonte:Reuters,The Guardian,El País,OMS (WHO) – Disease Outbreak News,CNN Brasil,Veja Saúde, Ministério da Saúde e viagens e turismo
