Por Gaby Santana
Um aplicativo criado para ajudar pessoas a acompanhar suas atividades físicas passou a chamar atenção também de quem observa como as cidades são ocupadas. O Strava, usado principalmente por corredores, ciclistas e pessoas que fazem caminhadas, possui um mapa que mostra os locais onde há maior concentração dessas atividades.
A ferramenta funciona de maneira simples: os exercícios registrados por GPS são reunidos em um mapa. Quanto maior o número de atividades em determinada região, maior aparece a intensidade no mapa.
Foi justamente esse recurso que viralizou recentemente após usuários compararem o mapa de uma grande cidade americana com áreas conhecidas por apresentarem diferenças de renda e infraestrutura.
Mas é preciso fazer uma ressalva: o mapa do Strava não mede renda, riqueza ou segurança. Ele mostra apenas onde os usuários da plataforma registram atividades físicas. Ainda assim, o resultado pode ajudar a visualizar quais regiões possuem maior circulação de pessoas praticando esportes.
E isso pode ter relação com características valorizadas por parte de quem procura um lugar para morar.
Parques, áreas verdes, ciclovias, calçadas e espaços para atividades ao ar livre são considerados atrativos urbanos. Por isso, regiões com boa estrutura para caminhadas e exercícios também podem despertar interesse de moradores e investidores.
O Brasil tem um papel importante nessa história. Segundo o próprio Strava, o país se tornou em 2026 o segundo maior mercado da plataforma no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
São Paulo é um exemplo dessa relação. Áreas próximas ao Parque Ibirapuera aparecem com grande concentração de atividades esportivas no mapa. A região também está próxima de bairros conhecidos pelos preços elevados dos imóveis.
Dados do Índice FipeZAP mostram que o preço médio anunciado do metro quadrado de imóveis residenciais em São Paulo chegou a R$ 11.891 em abril de 2026. O valor considera anúncios de imóveis e serve como um dos principais indicadores do comportamento do mercado imobiliário brasileiro.
Isso não significa, porém, que correr ou pedalar em determinado bairro faça os imóveis ficarem mais caros. O preço de uma propriedade depende de vários fatores, como localização, transporte, comércio, segurança, infraestrutura, tamanho do imóvel e procura.
O que o Strava oferece é uma outra forma de observar a cidade: um retrato dos lugares onde seus usuários escolhem correr, caminhar e pedalar.
A ferramenta também já é utilizada para estudos de mobilidade urbana. Por meio do Strava Metro, governos e órgãos de planejamento podem acessar dados agregados para entender melhor os deslocamentos de ciclistas e pedestres.
Assim, um aplicativo criado para acompanhar exercícios físicos acabou produzindo uma informação que também pode ajudar a entender como as pessoas utilizam diferentes regiões das cidades.
Fonte:The News


