Suspeito preso por atentado ao diretor do Conjunto Penal de Eunápolis é investigado por sequestro e morte de três homens

  O suspeito que foi preso por envolvimento no atentado ao diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, também é investigado pelo sequestro e assassinato de três homens na mesma cidade. A informação foi divulgada pela Polícia Civil (PC) nesta terça-feira (5).

Romildo Ramos de Moraes, conhecido como “RD”, foi localizado na segunda-feira (4), em uma casa do distrito de Pindorama, em Porto Seguro, na mesma região do estado, durante uma ação para cumprir mandados de busca e apreensão. Ele tinha cinco mandados de prisão em aberto, que foram cumpridos durante a abordagem.

O delegado Moabe Macedo, coordenador da polícia na região, todos os três crimes com envolvimento do suspeito aconteceram em maio deste ano. Uma das vítima é o motorista por aplicativoWeverton Antônio dos Santos, de 29 anos, que desapareceu no dia 13.

As investigações apontam que o crime foi filmado e as imagens foram passadas para contatos da agenda da vítima, com o próprio celular dela. No entanto, o corpo do motorista – que também trabalhava como segurança em eventos – ainda não havia sido encontrado encontrado até a última atualização desta reportagem.

Conforme pontuou o delegado, Weverton era amigo de policiais militares e passava informações para eles. Antes de ser assassinado, ele começou a namorar uma mulher que morava em área de conflito por tráfico de drogas e os suspeitos souberam. Após abordar a vítima, o grupo fez com que o motorista desbloqueasse o celular e viu as conversas dele.

Além de Romildo Moraes, outros dois homens e um adolescente suspeitos de envolvimento no crime já foram localizados pela polícia. Um deles é José Rubens Alves de Assis Filho, conhecido como “Rubão”. O delegado Moabe Macedo afirmou que integrantes do grupo confessaram a ação. O celular do motorista por aplicativo foi destruído após o crime.

A outra vítima é o eletricista Gustavo da Conceição Benfica, de 22 anos, que sumiu um dia após Weverton. O jovem desapareceu após sair de casa com a motocicleta dele, em 14 de maio.

O terceiro assassinato ligado a Romildo é o de Lucas Phelipe Costa Lemos, que desapareceu na mesma semana. A polícia investiga se esses dois crimes têm relação com o que foi encontrado no celular de Weverton.

“São integrantes de facção que a Polícia Civil vem se debruçando, investigando, localizando e prendendo. Outras, provavelmente, acontecerão nos próximos dias. Estamos alguma medidas cautelares e analisando quais decisões devemos mandar”, afirmou o delegado.

Múltiplos crimes

O atentado ao diretor do Conjunto Penal de Eunápolis aconteceu em 20 de maio deste ano e deixou um motorista terceirizado gravemente ferido. O diretor Jorge Magno Alves não estava no veículo e não teve ferimentos.

Além do crime e dos assassinatos, conforme informou a polícia, Romildo também esteve envolvido na fuga de 16 detentos da mesma unidade prisional em dezembro do ano passado, e tinha relação com o advogado que foi detido pelo mesmo crime, em julho, na cidade de Serrinha.

A polícia diz ainda que o suspeito também dava ordens a comparsas para atirarem contra policiais e familiares.

Segundo informou a polícia, outro acusado de homicídio, que não teve detalhes divulgados, também foi encontrado na mesma ação. Os presos passaram por exames de lesões corporais e foram levados para o sistema prisional, onde ficarão à disposição da Justiça.

O ataque

A vítima passava de carro na Avenida Alcides Lacerda, no bairro Arisvaldo Reis, quando foi surpreendida por um grupo de homens armados e encapuzados, com um armamento de grosso calibre, incluindo fuzis 7,62 mm e 5,56 mm.

O veículo que foi alvo dos suspeitos geralmente era utilizado pelo gestor do presídio. No entanto, apenas o motorista estava no interior do automóvel. Segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), o homem é funcionário da empresa cogestora Reviver.

A vítima, mesmo ferida, conseguiu dirigir por alguns metros até ser socorrida por policiais militares. O homem foi encaminhado ao hospital, passou por cirurgia e ficou internado, sem risco de morte.

Depois do ataque ao carro do motorista do presídio, cerca de 100 policiais das Forças Estaduais e Federais fizeram ações integradas com o objetivo de prender os autores do ataque.

As investigações indicaram que a ação foi coordenada por Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), atualmente ligada ao Comando Vermelho (CV). Ele foi um dos mandantes da fuga ocorrida em dezembro do ano passado, e estava entre o grupo.

Além das mortes ocorridas na cidade, José Rubens Alves de Assis Filho, é apontado como envolvido no ataque ao carro com a namorada, Letícia Rodrigues. Eles foram alcançados um dia depois, em 21 de maio, na cidade de Itapebi.

No momento da abordagem, o homem estava com uma pistola calibre 9mm, dois carregadores e oito munições. O armamento, que pode ter sido foi usado no atentado, foi encaminhado para exame de microcomparação balística com os estojos encontrados no local do crime.

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