Temperatura de 37,5°C já é febre: entenda o que muda e quando procurar o pediatra

A febre representa uma das maiores angústias e preocupações para pais e cuidadores de crianças, gerando até 65% dos atendimentos de emergência, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Embora gere alarme, a elevação da temperatura corporal constitui, na maioria das vezes, uma resposta natural do organismo diante de infecções, vírus ou bactérias.

Recentemente, a SBP atualizou o parâmetro que define a febre infantil. Agora, os profissionais consideram febre quando a temperatura axilar está igual ou superior a 37,5°C, sendo que o limite anterior era de 37,8°C. A nova diretriz se baseia em evidências científicas que sinalizam que pequenas variações já indicam que algo está fora do normal no corpo da criança.

A pediatra Simone Borges da Silveira explica que o ajuste visa padronizar a avaliação clínica, facilitando o diagnóstico e o cuidado médico. Como resultado, pais e cuidadores precisam saber como proceder em casa e, sobretudo, reconhecer os sinais de alerta que exigem uma corrida imediata ao pronto-socorro.

O mecanismo de defesa e a febrefobia
O pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum reforça que os pais não devem enxergar a febre como um inimigo. O aumento de temperatura funciona como um mecanismo de defesa, ajudando o corpo a combater a infecção. Por conseguinte, abaixo de 37,5°C, geralmente não há risco para o pequeno, e a própria febre pode ajudar o corpo a combater o problema.

A médica Simone Borges da Silveira faz um alerta importante: é fundamental evitar cair na chamada “febrefobia”, o medo exagerado da febre. A maioria dos quadros tem origem viral e não requer o uso de antibióticos. O foco dos pais deve permanecer no conforto da criança e na observação atenta do seu comportamento geral.

Cuidados em casa e aferição

Em muitos casos, os pais conseguem controlar a febre apenas com a observação e a aplicação de medidas simples e eficazes. Para aliviar o desconforto da criança, você deve priorizar roupas leves, banhos mornos e garantir uma boa hidratação. É crucial evitar totalmente banhos frios e, de forma alguma, aplicar álcool na pele, pois estas práticas podem gerar riscos à saúde do paciente.

Além disso, a forma de aferir a temperatura interfere no resultado, explica a pediatra Simone. No Brasil, utilizamos mais a medição pela axila, que padroniza a avaliação. Contudo, a via retal não é adotada, e o termômetro no ouvido pode gerar falsos negativos se a criança tiver acúmulo de cera.

Fonte: Jornal Correio

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