Por gaby Santana
A tensão entre a Rússia e os países ocidentais voltou a aumentar nesta semana após uma viagem sigilosa do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou. A visita, realizada na terça-feira (25), foi a primeira de um chefe da inteligência americana à Rússia desde 2021 e ocorreu em meio ao agravamento da guerra na Ucrânia.
Segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal, Ratcliffe levou às autoridades russas um alerta sobre as consequências de qualquer ataque a um país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A inteligência americana estaria preocupada com a possibilidade de Moscou testar a aliança por meio de ações limitadas, como ataques cibernéticos ou uma incursão militar de pequena escala.
O Kremlin confirmou que Ratcliffe esteve em Moscou e se reuniu com autoridades de inteligência russas. O presidente Vladimir Putin foi informado sobre as conversas, mas não participou diretamente do encontro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a viagem como uma missão “semirotineira” e afirmou não acreditar que Putin pretenda atacar um país da OTAN.
A preocupação americana ocorre em um momento de pressão sobre a capacidade militar dos Estados Unidos na Europa. O estoque de interceptadores Patriot, por exemplo, está em nível considerado crítico por autoridades e especialistas, após o envio de equipamentos para a Ucrânia e o uso de sistemas na guerra contra o Irã.
Enquanto Washington tenta evitar uma escalada direta, Reino Unido e França aumentaram o apoio militar a Kiev. Londres autorizou o compartilhamento de tecnologia classificada relacionada aos mísseis Storm Shadow, permitindo que a Ucrânia avance na produção desses armamentos.
A reação de Moscou foi dura. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que Reino Unido e França estão “brincando com fogo” e advertiu que instalações militares britânicas podem se tornar alvos caso o uso de armamentos fornecidos por Londres contra território russo continue.
O cenário mantém a Europa em alerta. De um lado, os países da OTAN reforçam o apoio à Ucrânia e suas próprias defesas. Do outro, Moscou ameaça responder diretamente ao envolvimento militar ocidental. O temor é que um incidente envolvendo um país da aliança provoque uma escalada muito maior, já que o artigo 5º da OTAN estabelece o princípio da defesa coletiva.
Apesar das advertências e do aumento da tensão, não há confirmação de que a Rússia esteja preparando um ataque contra um país da OTAN. As informações sobre uma possível ação russa fazem parte de avaliações de inteligência e não representam, até o momento, uma decisão anunciada pelo Kremlin.
Fonte: the news


