Após um longo período de estabilidade com bandeira verde, os consumidores brasileiros já começaram a perceber aumento na conta de energia elétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica acionou a bandeira amarela em maio, e especialistas do setor alertam para a possibilidade de cobrança ainda maior nos próximos meses.
O cenário preocupa principalmente por causa da redução das chuvas e dos efeitos do fenômeno El Niño, que costuma provocar períodos de estiagem mais intensos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico mostram que o subsistema Sudeste/Centro-Oeste — responsável pela maior parte do consumo energético nacional — opera atualmente com 65,62% da capacidade dos reservatórios. Já a região Sul enfrenta situação mais delicada, com armazenamento em apenas 46,40%.
Bandeira vermelha pode ser acionada em junho
Economistas e analistas do setor elétrico avaliam que o Brasil pode entrar em bandeira vermelha patamar 1 já no mês de junho. Entre julho e setembro, existe a possibilidade de adoção da bandeira vermelha patamar 2, considerada uma das cobranças extras mais altas aplicadas na conta de luz.
As projeções apontam o seguinte cenário:
- Junho: possibilidade de bandeira vermelha patamar 1, com aumento médio de 3,5%;
- Julho a setembro: risco de bandeira vermelha patamar 2, elevando os custos em cerca de 4,3%;
- Outubro: chance de retorno da bandeira vermelha patamar 1;
- Dezembro: possibilidade de volta da bandeira amarela.
Na prática, especialistas estimam que a conta de energia elétrica pode acumular alta próxima de 9% ao longo de 2026, o que também pode aumentar a pressão sobre a inflação e o custo de vida no país.
Uso de termelétricas eleva custos
Com a redução do volume de chuvas e a queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas, o governo deve ampliar o acionamento de usinas termelétricas para garantir o abastecimento durante o período seco.
Esse tipo de geração possui custo significativamente mais alto em comparação às hidrelétricas, e o valor adicional acaba sendo repassado diretamente ao consumidor final por meio das bandeiras tarifárias.
O cenário acende um alerta para famílias e empresas, que podem enfrentar aumento nas despesas com energia nos próximos meses, especialmente durante o segundo semestre do ano.
