Uma mulher de 37 anos presa em Santa Catarina sob suspeita de assumir a identidade de uma adolescente para enganar famílias e instituições possui um histórico marcado por atendimentos psiquiátricos e investigações policiais que remontam a mais de uma década. Amanda Maria Souza de Oliveira foi detida na última terça-feira (2), em Joinville, e é investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
De acordo com informações da Polícia Civil, Amanda passou por diversos serviços de saúde mental ao longo dos anos. Natural do Ceará, ela recebeu atendimento em unidades especializadas, incluindo o Hospital Mental de Messejana, o antigo Hospital Mira y López, em Fortaleza, e o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Horizonte, na Região Metropolitana da capital cearense.
O caso ganhou destaque pela semelhança com um episódio registrado em 2010. Na época, Amanda procurou a Delegacia de Defesa da Mulher, em Fortaleza, afirmando ter apenas 12 anos. Ela acusou os próprios pais de exploração sexual e de submetê-la a supostos rituais de magia negra. Durante as investigações, no entanto, familiares apresentaram documentos e laudos médicos indicando que ela tinha 22 anos e enfrentava transtornos psiquiátricos.
Mesmo diante das evidências, Amanda sustentou a versão de que os documentos haviam sido falsificados pelos pais para ocultar abusos. A apuração policial incluiu depoimentos, diligências e visitas à residência da família. Segundo a então delegada adjunta responsável pelo caso, os relatos colhidos durante a investigação não confirmaram as acusações apresentadas pela mulher.
Ainda naquele período, exames de imagem identificaram a presença de agulhas e de uma chave no corpo de Amanda. Apesar da descoberta, a origem dos objetos nunca foi esclarecida pelas autoridades.
Mais recentemente, em setembro de 2023, novos exames apontaram novamente a presença de agulhas em seu organismo. Na ocasião, ela foi atendida no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, enquanto residia em uma instituição de acolhimento.
As investigações atuais apontam que Amanda teria utilizado estratégias semelhantes para se apresentar como adolescente e obter acolhimento, auxílio e benefícios em diferentes regiões do país. A Polícia Civil apura possíveis prejuízos causados por ela e busca identificar outras pessoas e instituições que possam ter sido vítimas do esquema, que teria se repetido em pelo menos cinco estados brasileiros.

