Por Ana Sampaio
Uma enchente repentina atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na cordilheira do Himalaia, e provocou uma das maiores tragédias recentes na região. O desastre ocorreu na quarta-feira (26) e deixou centenas de mortos e mais de mil pessoas desaparecidas.
As informações mais recentes apontam que pelo menos 165 pessoas morreram e cerca de 1.500 estão desaparecidas, entre elas centenas de estrangeiros. O número de vítimas ainda pode aumentar à medida que as equipes de resgate conseguem acessar as áreas mais atingidas.
Como aconteceu a tragédia
Inicialmente, autoridades nepalesas levantaram a possibilidade de que um terremoto de magnitude 4,4 tivesse provocado o deslizamento que desencadeou a enchente.
No entanto, análises posteriores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicaram que o tremor registrado na região pode ter sido, na verdade, energia sísmica produzida pelo próprio colapso de gelo e rochas.
Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que parte de uma geleira teria se desprendido e despencado pela encosta. A massa de gelo, rocha e sedimentos atingiu um rio e provocou uma enorme onda de detritos, que avançou rapidamente pelas áreas abaixo.
O fenômeno atingiu principalmente o distrito de Rasuwa, no Nepal, além de áreas do Tibete, na China. Vilarejos, estradas, pontes e veículos foram destruídos ou soterrados pela lama e pelos destroços.

Estrangeiros estão entre os desaparecidos
A região atingida é utilizada por turistas, peregrinos e trabalhadores que circulam entre o Nepal e o Tibete. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros.
Autoridades nepalesas informaram que pelo menos 800 estrangeiros estavam entre as pessoas desaparecidas nas primeiras estimativas. Cidadãos da Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Malásia, Canadá e outros países estão entre os procurados.
Resgate enfrenta dificuldades
As operações de busca e salvamento enfrentam grandes obstáculos devido à destruição de estradas, pontes e linhas de comunicação.
Em algumas das áreas mais atingidas, helicópteros não conseguiram pousar, dificultando a chegada das equipes de emergência e o transporte de sobreviventes.
Mais de 5 mil profissionais foram mobilizados para as operações, enquanto helicópteros são utilizados para localizar pessoas isoladas e levar suprimentos para comunidades afetadas.
Infraestrutura também foi destruída
Além das perdas humanas, a enchente provocou grandes danos à infraestrutura da região. Projetos hidrelétricos, estradas e estruturas ligadas ao comércio entre Nepal e China foram atingidos.
A força da água e dos detritos também alterou trechos de rios e deixou comunidades sem energia e comunicação.
As autoridades ainda monitoram uma área represada que pode representar um novo risco caso ocorra outro rompimento e uma nova onda de água e sedimentos avance pelas regiões abaixo.
Cientistas avaliam influência das mudanças climáticas
Especialistas também investigam se o aquecimento global e o derretimento acelerado das geleiras contribuíram para aumentar a instabilidade da região.
Cientistas afirmam que temperaturas mais altas podem enfraquecer estruturas de gelo e rocha nas montanhas, aumentando o risco de avalanches, deslizamentos e enchentes repentinas.
Ainda não é possível atribuir o desastre exclusivamente às mudanças climáticas. A avaliação dos especialistas é que diferentes fatores, incluindo condições das geleiras, instabilidade das encostas e possíveis eventos sísmicos, podem ter contribuído para a dimensão da tragédia.
As buscas continuam no Nepal e no Tibete, enquanto governos e organizações internacionais oferecem apoio às equipes de resgate e às comunidades afetadas.


