O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, pretende articular nos Estados Unidos uma espécie de “governo no exílio”, segundo informações atribuídas a fontes próximas à família Bolsonaro e ao governo norte-americano. A possibilidade foi relatada pela jornalista Mariana Sanches, correspondente do UOL nos Estados Unidos, em cobertura publicada na terça-feira (27).
De acordo com a apuração, a iniciativa teria como objetivo questionar a legitimidade das instituições brasileiras e sustentar, no exterior, a narrativa de que o Brasil não vive uma democracia. A informação, porém, foi atribuída a interlocutores ouvidos pela jornalista e não corresponde a um plano formalmente anunciado por Flávio Bolsonaro.
A chegada do senador aos Estados Unidos foi noticiada pelo UOL com base em informações de aliados. Segundo a publicação, ele pretende conceder uma entrevista coletiva para explicar a viagem e os próximos passos de sua atuação política. A previsão divulgada era de que a conversa com jornalistas ocorresse nesta quarta-feira (28).
Comparação com Juan Guaidó
Durante a análise, Mariana Sanches comparou a possível estratégia à atuação de Juan Guaidó, opositor do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em janeiro de 2019, Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela e recebeu reconhecimento dos Estados Unidos e de outros governos, que contestavam a legitimidade do mandato de Maduro.
Naquele período, o governo brasileiro de Jair Bolsonaro também reconheceu Guaidó como presidente encarregado da Venezuela. A comparação feita pela jornalista diz respeito à possibilidade de buscar apoio internacional para contestar a legitimidade de um governo em exercício.
Até o momento do relato, não havia anúncio público de Flávio Bolsonaro sobre a criação de uma estrutura de governo no exílio. A eventual adoção dessa estratégia dependerá dos próximos posicionamentos do senador e de seus aliados.
Posição do governo dos Estados Unidos
A correspondente também abordou a reação do governo de Donald Trump ao resultado das eleições brasileiras. Trump questionou publicamente o processo eleitoral, afirmando que a votação “pareceu fraudada”, sem apresentar provas para sustentar a alegação.
Segundo a cobertura de Mariana Sanches, a administração norte-americana ainda não havia divulgado um posicionamento público detalhado sobre o resultado eleitoral brasileiro. A jornalista relatou que comunicados preparados para diferentes cenários não tinham sido divulgados naquele momento.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou ao UOL que seriam emitidos vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares. Essa medida permite a entrada no país, mas não significa, por si só, que o governo norte-americano tenha reconhecido qualquer governo paralelo ou concedido asilo político ao senador.
Os próximos pronunciamentos de Flávio Bolsonaro e eventuais manifestações oficiais de Washington poderão esclarecer se a ideia de um governo no exílio será efetivamente defendida ou permanecerá apenas como uma possibilidade relatada por fontes.

