Lula chama viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA de “ato vergonhoso”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como um “ato vergonhoso” a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil com destino aos Estados Unidos. A declaração foi feita na terça-feira (27), durante uma comemoração de aniversário realizada em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Lula completou 81 anos dois dias após vencer o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Ao falar com apoiadores, Lula criticou o fato de Flávio ter deixado o país sem entregar os passaportes à Polícia Federal (PF), conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, afirmou o presidente.

Lula também mencionou as investigações envolvendo o senador e defendeu que ele permanecesse no Brasil para responder às questões judiciais. As declarações representam a avaliação do presidente sobre o episódio; a existência de investigações, por si só, não comprova culpa.

Lula relembra prisão em 2018

Durante o discurso, o presidente comparou a situação à própria experiência judicial. Lula afirmou que decidiu se apresentar à Polícia Federal em abril de 2018 para contestar as acusações contra ele.

“Resolvi me entregar na Polícia Federal porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência”, declarou.

O presidente permaneceu preso por 580 dias e foi libertado em novembro de 2019. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações impostas pela Justiça Federal de Curitiba, por entender que o juízo era incompetente para julgar os casos. Em outra decisão, a Corte reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex do Guarujá.

Viagem ocorreu após decisão do STF

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após perder o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). A viagem aos Estados Unidos foi confirmada à agência Reuters por fontes próximas ao senador e do governo norte-americano. O Departamento de Estado dos EUA informou que emitiria vistos para o parlamentar e seus familiares.

Antes da viagem, Moraes havia determinado que o senador entregasse os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal em até 24 horas, no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Segundo reportagens, o prazo terminou sem que os documentos fossem entregues, e os passaportes foram cancelados.

Flávio também é citado em outro inquérito relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As suspeitas permanecem no âmbito das investigações e não equivalem a uma condenação.

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