Agricultora de 101 anos conquista aposentadoria após quase 40 anos de espera em Roraima

Por Ana Sampaio

Depois de quase quatro décadas de luta, a agricultora Celeste Lucas da Silva, de 101 anos, finalmente conquistou o direito à aposentadoria por idade. Moradora de Bonfim (RR), ela trabalhou a vida inteira na roça para sustentar os 15 filhos e teve o benefício aprovado pela Justiça em março deste ano. O pagamento começou em abril.

A batalha de Celeste começou em 1985, quando ficou viúva aos 62 anos. Na época, a lei permitia que apenas um membro da família rural tivesse direito à aposentadoria — geralmente o homem. O marido dela, Cirino Trajano, já era aposentado quando faleceu, e por isso ela só passou a receber pensão por viuvez.

Sem documentos suficientes, tentativas posteriores de regularizar o processo foram negadas pelo INSS. Apenas em 2020, quando já tinha 97 anos, o pedido foi renovado. O caso levou quase cinco anos para ser concluído.

Conhecida como “Vó Celeste”, a agricultora nasceu em 15 de novembro de 1923 e cresceu ajudando os pais na lavoura. Viúva e matriarca, continuou trabalhando na terra para criar os filhos e sustentar a família.

Para o advogado Rhichard Magalhães, genro de uma das netas de Celeste, a conquista revela um problema histórico:

“Ela só buscava um direito garantido, mas enfrentou um sistema que, por muito tempo, excluiu mulheres da aposentadoria rural. Felizmente, a Justiça reconheceu o esforço de uma vida inteira”, afirmou.

Agora, aos 101 anos, Vó Celeste comemora o alívio financeiro e a justiça tardia por décadas de trabalho no campo.

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