Por Ana Sampaio
O agronegócio baiano vive um momento de destaque: segundo dados recentes da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), no segundo trimestre de 2025 o setor representou 29,6% da economia do estado — montante equivalente a R$ 41,9 bilhões.
Apesar de ter fechado 2024 com leve retração real de 0,4% no PIB do setor, reflexo de uma safra de grãos reduzida por conta de condições climáticas adversas, a agropecuária baiana demonstrou resiliência. Esse desempenho reforça a importância histórica e econômica do agro no estado, que chegou a responder por 23,5% do PIB até o terceiro trimestre de 2024 — com pico de 26,5% naquele período.
Diversificação, exportações robustas e crescimento recorde
Mais do que volume, o agronegócio baiano também se destaca pela diversidade produtiva. Segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri‑BA), o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) alcançou R$ 55,4 bilhões em 2024 — resultado de uma década com crescimento acumulado de 25,6%.
Dentro deste contexto, a cultura da soja sobressai como principal produto, com expansão de 59% nos últimos dez anos e crescimento de 8% somente em 2024. Outras lavouras e cadeias produtivas, como cacau, café, frutas e a pecuária, também ganharam relevância, contribuindo para tornar o estado uma das potências agrícolas do país.
Na esfera externa, o agronegócio liderou as exportações do estado em 2024, com um volume próximo a US$ 6,1 bilhões — mais da metade das exportações baianas. Essa performance demonstra não apenas a capacidade de produção, mas também o peso estratégico da Bahia no mercado global de commodities agrícolas.
Riscos, desafios e a importância da retomada
Apesar dos bons resultados, o setor não está imune a riscos: a retração de 7,3% na safra de grãos em 2024, causada por condições climáticas adversas — como o fenômeno “El Niño” — é um alerta para a vulnerabilidade ambiental que afeta diretamente produtividade e renda agrícola.
No entanto, o crescimento observado em 2025 — tanto em volume quanto em participação econômica — revela a capacidade de recuperação e adaptação do agronegócio baiano. Especialistas do setor apontam que a diversificação das cadeias produtivas, o aumento da área cultivada e a valorização dos produtos no mercado interno e externo são chaves para a consolidação do estado como um dos grandes polos agrícolas do Brasil.
Olhando para 2026: expectativas e o papel social do agro
Com a safra 2024/25 estimada em 3,9 milhões de hectares e uma produção projetada de 13,7 milhões de toneladas de grãos e fibras, a expectativa é de que o agronegócio mantenha o ritmo de crescimento.
Para a Bahia, isso significa não apenas crescimento econômico, mas geração de empregos, interiorização do desenvolvimento e fortalecimento de cadeias produtivas que beneficiam diretamente o consumo interno e a balança comercial. Em um contexto de transformações climáticas e pressões ambientais, o desafio será manter produtividade, diversificação e sustentabilidade — pilares para que o agro baiano se firme como referência nacional no longo prazo.
