Bahia fortalece combate à violência e transforma análise de dados em política de Estado

Por Gaby Santana 

A segurança pública na Bahia inicia uma nova fase com o lançamento do primeiro Anuário ISPE, produzido pelo Instituto de Segurança Pública, Estatística e Pesquisa Criminal da Polícia Civil (ISPE). A publicação, que reúne os principais indicadores de 2024, consolida a estatística como ferramenta estratégica de gestão e insumo para a produção acadêmica.

Mais do que números, o documento analisa séries históricas, organiza mapas e interpreta tendências para compreender a dinâmica da violência. Segundo o delegado Omar Andrade Leal, diretor do ISPE, o objetivo é transformar dados em políticas duradouras.
“Não olhamos apenas para o passado, mas para o futuro, orientando estratégias e oferecendo subsídios para que a sociedade e o poder público construam juntos soluções mais efetivas”, destacou.

Queda nos crimes letais

Um dos dados mais relevantes é a redução contínua dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). Em 2024, a Bahia registrou 4.461 vítimas, número 8,3% menor que no ano anterior. Desde 2021, quando foram contabilizadas 5.594 mortes, o estado acumula queda de 20,25%, o que representa 1.133 vidas preservadas.

A taxa estadual caiu de 34 para 30 vítimas por 100 mil habitantes. Salvador teve retração de 11,9% e a Região Metropolitana alcançou 13,7%, desempenhando papel decisivo para o resultado.

Polícia Civil mais produtiva

A produtividade investigativa também cresceu. Foram 45.782 inquéritos instaurados em 2024, aumento de 5,9% em relação a 2023. A taxa de esclarecimento subiu para 38,2%, acima da média nacional.
“Estamos investigando mais e melhor. A população precisa confiar que, ao registrar um crime, haverá resposta”, afirmou Leal.

Patrimônio: queda nos roubos e alta nos crimes digitais

Nos crimes patrimoniais, a Bahia reduziu roubos em 22% e furtos em 6%, reflexo de maior presença policial em áreas críticas. Porém, houve crescimento nos delitos digitais: estelionatos (+13%), apropriação indébita (+31%) e extorsão (+30%).

Violência de gênero: contrastes entre capital e interior

O estado registrou queda de 3,5% nos feminicídios, que passaram de 115 em 2023 para 111 em 2024. As tentativas, entretanto, cresceram 31%, atingindo 235 mulheres. Em Salvador, os feminicídios caíram 55%, mas no interior houve aumento de 9,2%.

Indicadores como violência psicológica (+6,5%), sexual (+5,1%) e física (+3,9%) também cresceram, assim como os pedidos de medidas protetivas (+5,9%). A rede de atendimento foi reforçada com a expansão das Delegacias Especializadas (DEAMs) e dos Núcleos Especiais de Atendimento à Mulher (NEAMs) em diferentes regiões do estado.

Marco para gestão e academia

O anuário se consolida como política de Estado e referência para universidades, gestores municipais e sociedade civil. Com equipe multidisciplinar e parcerias acadêmicas, o ISPE se afirma como centro de conhecimento voltado para segurança pública.

“Os dados que produzimos não servem apenas à polícia, mas a toda a sociedade”, ressaltou Leal, citando prefeituras e estudantes que utilizam as informações em pesquisas e planejamento.

Perspectivas

Os dados preliminares de 2025 indicam manutenção da queda nos crimes letais. Entre janeiro e julho, foram registrados 2.383 CVLI, contra 2.551 no mesmo período de 2023, redução de 6,6%.

Com metas atreladas ao Prêmio por Desempenho Policial (PDP), o governo estadual espera consolidar os resultados. “A Bahia dá um passo firme ao transformar estatística em política pública, e esse é um caminho sem volta”, concluiu o diretor do ISPE.

Fonte: ba.gov

RELACIONADAS

MAIS RECENTES