A ampliação do acesso gratuito a shows, filmes, espetáculos e exposições é a principal demanda dos brasileiros para as políticas públicas de cultura. Segundo a 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais, divulgada nesta quarta-feira (14), 42% dos entrevistados consideram a gratuidade uma prioridade para os próximos governantes.
O levantamento foi realizado pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, e ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios brasileiros, entre 7 e 20 de julho de 2026.
Os dados apontam diferenças significativas no acesso às atividades culturais conforme a classe social. Nos últimos 12 meses, 97% dos entrevistados das classes A e B participaram de alguma atividade presencial, enquanto o índice foi de 82% entre as classes D e E.
A desigualdade também aparece na frequência ao cinema. Entre as pessoas das classes A e B, 63% afirmaram ter ido a uma sala de exibição no período analisado. Nas classes D e E, o percentual foi de apenas 18%. Além disso, 33% dos participantes disseram não ter equipamentos culturais disponíveis na região onde moram.
Falta de espaços e custos dificultam o acesso
A pesquisa identificou outras demandas relacionadas à infraestrutura cultural. Para 32% dos entrevistados, é necessário criar mais espaços públicos, como museus, teatros e cinemas. Outros 28% defendem melhorias e modernização dos equipamentos já existentes, enquanto 26% destacam a importância do financiamento da produção cultural independente.
O custo do transporte e dos ingressos foi citado por 35% dos participantes como um dos fatores que dificultam a participação em eventos culturais. A insegurança e a violência também aparecem entre os obstáculos, mencionadas por 30% dos entrevistados.
Outro dado chama a atenção: 32% dos brasileiros ouvidos não sabem que o acesso à cultura é um direito garantido pela Constituição Federal.
Para a coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, as desigualdades estão relacionadas a barreiras que vão além das preferências individuais. Os resultados reforçam o debate sobre políticas públicas que ampliem o acesso da população às atividades culturais, especialmente entre os grupos que enfrentam dificuldades financeiras e falta de equipamentos próximos de suas residências.

