As eleições de 2026 ampliaram a presença de pessoas LGBTQ+ no Congresso Nacional e registraram resultados expressivos para candidaturas que representam diferentes grupos da comunidade.
Em São Paulo, Erika Hilton (PSOL) foi reeleita deputada federal com 1.596.383 votos, tornando-se a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados. O resultado também colocou a parlamentar entre as maiores votações do país nesta eleição.
Em Minas Gerais, Duda Salabert (PSOL) também garantiu a reeleição para a Câmara dos Deputados. Outros nomes LGBTQ+ conquistaram espaço no Legislativo, ampliando a representação da comunidade em diferentes regiões do país.
No Distrito Federal, Fábio Félix, parlamentar assumidamente gay, foi eleito deputado federal e terminou a disputa como o candidato mais votado do estado, com 224.224 votos. No Rio Grande do Sul, Daiana Santos, mulher negra e lésbica, também foi reeleita para a Câmara.
A eleição ainda colocou em evidência candidaturas de pessoas trans e travestis, como Natasha Ferreira, que disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, e Thabatta Pimenta, candidata à Câmara dos Deputados pelo Rio Grande do Norte.
Violência política marcou a campanha
Os resultados ocorreram após uma campanha marcada por episódios de violência e ataques contra candidaturas LGBTQ+. Um monitoramento realizado pela plataforma Sentinela, do Instituto Plena Cidadania (IPC), identificou cerca de 13 mil comentários ofensivos com alvo definido em contas de candidaturas LGBTQ+ no Instagram.
A análise considerou mais de 1 milhão de interações publicadas nas contas monitoradas. Deste universo, 307.185 comentários foram selecionados para uma avaliação mais detalhada por apresentarem potencial de violência. Mais de 11 mil contas diferentes apareceram entre os autores dos comentários classificados como ataques.
Segundo o levantamento, 92,7% das agressões identificadas tiveram candidaturas de mulheres como alvo, enquanto 83,6% atingiram candidaturas de pessoas negras. A plataforma também encontrou sinais de repetição de mensagens e possíveis ações coordenadas entre diferentes perfis.
O monitoramento continua sendo atualizado e acompanha apenas candidaturas que permitiram o acompanhamento de suas contas. Portanto, os números não representam necessariamente todos os ataques sofridos por candidaturas LGBTQ+ durante a eleição.
Os resultados de 2026 mostram, de um lado, o avanço da representação LGBTQ+ em espaços institucionais e, de outro, a permanência de episódios de violência política e discriminação durante o processo eleitoral.

