Fim de patente aumenta concorrência e reduz preços de canetas de semaglutida no Brasil

Anvisa já recebeu 24 pedidos de novos registros de medicamentos à base da molécula, enquanto fabricantes disputam espaço no mercado

Por Ana Sampaio

 

O mercado brasileiro de canetas para emagrecimento ganhou novos concorrentes após o fim da patente da semaglutida que era detida pela farmacêutica Novo Nordisk. A mudança abriu espaço para a produção de medicamentos de outros fabricantes e aumentou a disputa por consumidores.

Com mais empresas entrando no mercado, os preços dos medicamentos à base de semaglutida começaram a cair. Segundo levantamento citado pela revista Veja, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu 24 pedidos de novos registros de medicamentos relacionados à molécula.

Concorrência pressiona preços

A semaglutida é a substância presente em medicamentos como o Ozempic e também em versões produzidas por outros fabricantes.

O aumento da concorrência pode ser observado na diferença de preços. Enquanto o Ozempic é encontrado a partir de aproximadamente R$ 825, medicamentos concorrentes à base de semaglutida podem custar cerca de R$ 400.

Outro exemplo é o Ozivy, que chegou ao mercado com preço inferior ao do medicamento original. Cerca de dois meses após o lançamento, o produto já havia alcançado 200 mil unidades vendidas, de acordo com os dados apresentados no levantamento.

Atualmente, o medicamento é comercializado por aproximadamente R$ 370, conforme os valores citados na reportagem.

Semaglutida ganha espaço no mercado

O crescimento da oferta de medicamentos à base de semaglutida também mudou a participação das diferentes substâncias no mercado de canetas.

Segundo os dados apresentados, os medicamentos com semaglutida já representam 56% das vendas oficiais dessa categoria, superando os produtos à base de tirzepatida, como o Mounjaro.

A tirzepatida, no entanto, continua protegida por patente, o que limita a entrada de concorrentes no mercado.

Preços podem influenciar acesso pelo SUS

A redução dos preços também pode ter impacto nas discussões sobre o acesso a tratamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o Ministério da Saúde, o custo dos medicamentos é um dos fatores considerados para avaliar a possibilidade de incorporação de tratamentos à rede pública.

Com a entrada de novos fabricantes e uma eventual redução dos preços, o cenário pode mudar nas avaliações sobre custo e benefício desses medicamentos.

Apesar da expansão do mercado, o uso de medicamentos à base de semaglutida deve ocorrer com orientação e acompanhamento de profissionais de saúde, já que são medicamentos que podem apresentar contraindicações, efeitos colaterais e riscos quando utilizados de forma inadequada.

O crescimento da procura mostra a dimensão do mercado. Uma pesquisa citada no levantamento aponta que 24% dos brasileiros adultos afirmam já ter usado canetas para emagrecimento, enquanto 11% declararam uso atual.

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