Número de mortos chega a 552 após enchente no Nepal e Tibete; buscas continuam por mais de 1,5 mil desaparecidos

Operações chegaram a ser interrompidas por risco de nova enchente, mas foram retomadas; quase 15 mil agentes participam dos trabalhos no Nepal.

Por Ana Sampaio

 

As equipes de resgate retomaram as buscas por desaparecidos nesta sexta-feira (28) após a enchente que atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território administrado pela China.

O número de mortos chegou a 552, sendo 547 no Nepal e cinco no Tibete, segundo os balanços mais recentes. No Nepal, 977 pessoas continuam desaparecidas. No lado tibetano, outras 558 pessoas ainda não foram localizadas.

As operações chegaram a ser interrompidas temporariamente por causa do risco de uma nova inundação. Um lago se formou depois que uma grande quantidade de gelo, pedras e lama bloqueou o curso de um rio. O volume de água chegou a mais de 2,5 milhões de metros cúbicos e começou a transbordar. Depois que o risco foi considerado controlável, as equipes voltaram ao trabalho.

Equipes procuram sobreviventes em meio à lama

O trabalho de resgate é considerado difícil porque a força da água destruiu estradas, pontes e outras estruturas, deixando várias comunidades isoladas.

No Nepal, 3.742 pessoas já foram resgatadas, segundo as autoridades. Helicópteros estão sendo usados para retirar pessoas de áreas isoladas, levar alimentos e medicamentos e auxiliar nas buscas.

Equipes também trabalham na recuperação e identificação de corpos levados pela correnteza. A operação conta com milhares de integrantes das forças de segurança nepalesas.

No lado chinês, uma equipe de 21 socorristas chineses chegou à área mais atingida no Tibete nesta sexta-feira para ajudar nas buscas. A região ficou coberta por lama e destroços após a passagem da enxurrada.

Centenas de estrangeiros estão desaparecidos

A tragédia atingiu uma região que recebe turistas e peregrinos que fazem viagens pelo Himalaia.

No Nepal, 517 estrangeiros ainda estão entre os desaparecidos, segundo informações divulgadas pelas autoridades. Entre os países com cidadãos desaparecidos estão Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá.

As autoridades ainda fazem a conferência das listas porque algumas pessoas que foram dadas como desaparecidas conseguiram ser localizadas depois do desastre.

Mais de 90 mil pessoas foram afetadas

Além das mortes e desaparecimentos, a enchente deixou um grande rastro de destruição.

A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas foram afetadas diretamente pelo desastre. Estradas, pontes, unidades de saúde e outras estruturas foram danificadas, dificultando a chegada de ajuda às comunidades atingidas.

O que provocou a tragédia?

A principal explicação é o colapso de uma geleira e de parte da encosta de uma montanha. Uma enorme quantidade de gelo, pedras e terra desceu rapidamente e atingiu os rios da região, provocando uma enxurrada de grandes proporções.

Os primeiros relatos levantaram a possibilidade de um terremoto ter provocado o desastre. Depois, análises do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicaram que o sinal sísmico registrado estava relacionado ao próprio desmoronamento da geleira e das rochas, e não a um terremoto convencional.

As buscas continuam enquanto as autoridades monitoram o nível da água e o risco de novos deslizamentos. Famílias de diferentes partes do mundo ainda aguardam informações sobre pessoas que estavam na região no momento da tragédia.

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