Por Ana Sampaio
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com os investigadores, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 6,3 bilhões, referentes ao período entre 2019 e 2024. A apuração aponta para um suposto envolvimento de servidores públicos e entidades privadas em fraudes que atingiram milhões de beneficiários.
Entre os crimes investigados estão inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de ocultação e dilapidação de patrimônio.
Ex-presidente do INSS entre os alvos
O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, está entre os alvos de prisão da nova fase da operação. Ele havia sido demitido em abril de 2025, após o escândalo vir à tona.
Segundo informações da CNN Brasil, Stefanutto teria autorizado um “desbloqueio em lote” de descontos associativos — contrariando pareceres internos — a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
A defesa de Stefanutto afirmou que ele “não teve acesso ao teor da decisão judicial” que determinou a prisão e classificou a medida como “ilegal e desproporcional”, alegando que o ex-presidente colaborava com as investigações.
Operação em 15 estados e no DF
Nesta etapa, a Polícia Federal cumpre 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares em 15 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal, além dos estados do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
O governo federal anunciou ainda a prorrogação do prazo para aposentados e pensionistas contestarem descontos indevidos, que agora vai até 14 de fevereiro de 2026.
Impacto e repercussão
A investigação indica que milhões de beneficiários podem ter sofrido descontos sem autorização em seus benefícios, realizados por entidades associativas. O objetivo é garantir o ressarcimento dos valores ou algum tipo de reparação aos afetados.
A gravidade do caso motivou uma atuação coordenada em todo o país e deve gerar impactos políticos e institucionais no sistema previdenciário brasileiro, segundo a CGU e a PF.
