PM é acusada de obrigar suspeitos de tráfico a vestir camisetas em apoio a Lula em SP

Policiais militares de São Paulo são alvo de denúncias de que teriam obrigado dois homens e um adolescente a vestir camisetas com a frase “Professoras e professores da Apeoesp com Lula” durante uma abordagem em Piracicaba, no interior paulista, na quarta-feira (21). O episódio ganhou repercussão após imagens dos três usando peças idênticas serem divulgadas nas redes sociais pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP).

Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a abordagem ocorreu após uma denúncia recebida pelo telefone 190. Os envolvidos são dois homens, de 21 e 24 anos, e um adolescente de 17 anos, suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas.

Na ocorrência, foram apreendidas 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340, conforme informações divulgadas pela pasta. Os dois adultos foram presos, e o adolescente foi apreendido.

Moradoras contestam origem das camisetas

De acordo com relatos divulgados pela imprensa, mulheres que estavam na região afirmaram que policiais teriam exigido que entregassem as camisetas que vestiam em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As peças seriam semelhantes às que aparecem nas imagens dos três suspeitos.

Um dos homens detidos, de 21 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que os policiais encontraram camisetas em um barraco e determinaram que os envolvidos as vestissem. Segundo os relatos divulgados, ele declarou não ter sofrido violência física ou psicológica.

Já a mãe do adolescente apresentou outra versão e afirmou que o filho teria sido agredido durante a abordagem, assim como a filha dela, de 14 anos. As denúncias de agressão e de imposição das camisetas ainda dependem de apuração.

Ouvidoria pede afastamento de policiais

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo abriu um protocolo para acompanhar o caso e solicitou à Corregedoria da Polícia Militar informações sobre os procedimentos adotados. O órgão também pediu o afastamento dos agentes identificados do serviço operacional até a conclusão das apurações. O pedido, por si só, não significa que o afastamento tenha sido efetivado.

Inicialmente, a SSP-SP afirmou que não havia recebido registros formais das denúncias e declarou que não compactua com desvios de conduta. Posteriormente, a pasta informou a abertura de uma investigação preliminar, conduzida pelo Comando de Policiamento de Área 9, responsável pela região.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também solicitou informações aos órgãos estaduais sobre as providências adotadas para apurar o episódio.

Publicação de vídeo gera repercussão política

As imagens dos três suspeitos usando as camisetas foram divulgadas por Guilherme Derrite, que parabenizou a ação policial e escreveu que “crime não pode ser relativizado”. O senador eleito não havia se manifestado sobre as acusações envolvendo a origem das roupas, segundo as reportagens consultadas.

O episódio também provocou manifestações no meio político. A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP) denunciou supostas intimidações e agressões contra mulheres que participavam de atividades de campanha na mesma comunidade.

PT pede investigação eleitoral

O Partido dos Trabalhadores acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral e pediu a apuração do caso, além de solicitar que a Polícia Federal investigue possíveis irregularidades eleitorais e abusos relacionados à abordagem. A legenda também pediu esclarecimentos sobre a origem das camisetas e as circunstâncias em que as imagens foram produzidas e divulgadas.

Até o momento, as acusações contra os policiais não representam uma conclusão oficial sobre o ocorrido. As investigações deverão esclarecer se houve imposição das camisetas, agressões ou outras irregularidades durante a operação.

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