Por Brício Lopes
O Vale do Jiquiriçá desponta como uma das áreas mais estratégicas do Brasil na corrida global por minerais de alta tecnologia. Ubaíra, Jiquiriçá e Mutuípe confirmaram, por meio de pesquisas da Borborema Mineração, subsidiária da Australian Brazilian Rare Earths, a presença de reservas economicamente viáveis de terras raras, especialmente disprósio e térbio, elementos essenciais para motores elétricos, turbinas eólicas, robótica, satélites e sistemas de defesa.
A região será o ponto de partida do Projeto Monte Alto, que prevê inicialmente a produção de concentrado mineral a partir das jazidas encontradas nos três municípios. A primeira fase, com investimento de R$ 500 milhões, deve gerar 250 empregos na construção e 200 na operação. No total, o setor pode criar até 2 mil vagas indiretas apenas no Vale.

O governo da Bahia acompanha de perto o avanço do projeto, que coloca o Vale do Jiquiriçá em posição inédita na cadeia produtiva de minerais críticos. A segunda etapa — mais sofisticada — será instalada no Polo de Camaçari, onde deve ocorrer o refino e a separação de óxidos de terras raras que serão produzidos em Ubaíra e Jiquiriçá.
Além das terras raras, já foram detectados na região outros minerais estratégicos, como nióbio, tântalo, escândio, titânio e até urânio, ampliando o potencial econômico local.
Os municípios do Vale, antes pouco mencionados no debate sobre mineração de alta tecnologia, tornam-se agora peças-chave em um projeto bilionário que mira a transição energética global e reduz a dependência brasileira da China.
Os minerais extraídos no Vale serão refinados em Camaçari, onde haverá investimento de R$ 3 bilhões, capacidade inicial de 15 mil toneladas por ano e geração de até 1.250 empregos na construção e 800 na operação.
