O deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, mais conhecido como Binho Galinha (PRD), é procurado pela Polícia Federal (PF) suspeito de ser chefe de uma milícia responsável por lavagem de dinheiro em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia.
Segundo a PF, a atuação do grupo tem mais de uma década. As investigações apontaram que o jogo do bicho, a agiotagem, a receptação qualificada e o desmanche de veículos são as principais fontes de dinheiro dos suspeitos.
Nesta quarta (1°), a esposa e o filho do deputado, além de outras sete pessoas, incluindo quatro policiais militares, foram presos. O parlamentar nega as acusações.
Na terça-feira (30), Binho Galinha estava na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Na ocasião, ele ainda não era considerado foragido.
Confira abaixo a cronologia do caso:
➡️ Dezembro de 2023
- A PF deflagrou a operação “El Patrón”, que bloqueou R$ 200 milhões das contas bancárias dos investigados foram bloqueados e prendeu seis pessoas foram presas em dezembro de 2023.
- Entre os detidos, a esposa de Binho Galinha, Mayana Cerqueira da Silva, e o filho deles, João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, que tinha apenas18 anos.
- Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), a investigação apontou que Binho Galinha lavava dinheiro por meio de empresas e vendia peças de carro roubadas na sua loja de autopeças, a Tend Tudo, em Feira de Santana.
- Em um dos imóveis, foram encontradas milhares de peças de carros. Na época, a PF informou que o parlamentar não foi preso devido ao foro privilegiado.
- Foi divulgada a descoberta de que a empresa do parlamentar recebeu R$ 40,7 milhões sem lastro suficiente de notas fiscais emitidas.
- Os auditores avaliaram que há indícios de movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada pela loja de autopeças.
- A Tend Tudo ainda recebeu créditos de outras duas pessoas que tinham registros criminais de receptação qualificada e organização criminosa.
- Foi divulgado ainda que, em 2020, a empresa emitiu nota fiscal no valor de R$ 3 milhões por conta da venda de mil cabines de caminhão, cada uma com valor de R$ 3 mil.
- Os auditores apontaram que não existia comprovação da entrada dos recursos na empresa e que não há vestígios de compra de cabines suficientes para revenda ou de material para a fabricação. Ao todo, 15 pessoas foram denunciadas pelo MP-BA e são investigadas.
- As investigações apontaram que o filho do deputado estadual, era responsável por receber o dinheiro do crime desde quando ainda tinha menos de 18 anos. Ele teria repassado cerca de R$ 474 mil para o pai.
- Já a esposa do parlamentar tinha uma movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados à Receita Federal, e a maioria das transações feitas por ela envolvem os outros suspeitos.
➡️ Junho de 2025
- Em junho deste ano, o STJ anulou os efeitos da operação por falhas na investigação. Os problemas foram identificados especialmente na forma como a autoridade policial obteve relatórios sigilosos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), sem autorização judicial, o que violaria garantias constitucionais.
- No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) reverteu a decisão e determinou a continuidade da operação. Na decisão do Ministro Cristiano Zanin, a legalidade dessas provas foi reafirmada.
➡️ Setembro de 2025
- Durante uma semana, a TV Bahia acompanhou as sessões na Alba. Apenas na terça-feira (30) Binho Galinha esteve no local. Ele chegou por volta das 15h40 no plenário, onde permaneceu por pouco mais de 30 minutos.
- Binho galinha saiu do local às 16h13 e ficou conversando com seguranças, retornando ao plenário 12 minutos depois. Às 17h25 ele deixou novamente o plenário, desta vez pela parte de trás. A sessão foi encerrada às 17h45.
Outubro de 2025
- A PF deflagrou a “Operação Anômico”, que é um desmembramento da “El Patrón”. Além das nove prisões, dezoito mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em Feira de Santana, São Gonçalo dos Campos e Salvador.
- A Justiça bloqueou R$ 9 milhões de contas bancárias dos investigados. Atividades econômicas de uma empresa também foram suspensas.
- As investigações apontaram que, mesmo sob medidas cautelares, o parlamentar manteve a chefia do grupo, utilizando empresas de fachada e “laranjas” para movimentar recursos.
- Participam da operação 100 policiais, 11 auditores-fiscais e três analistas tributários da Receita Federal.
- A operação recebeu o nome “Estado Anômico” porque essa expressão se refere a uma condição social marcada pela ausência ou enfraquecimento das normas, regras e valores que regulam o comportamento de uma sociedade, resultando em um sentimento de desorientação, desorganização e incerteza entre as pessoas.
- A PF informou que a investigação continuará para apuração o possível envolvimento de outras pessoas e fatos conexos. Se condenados pelos crimes cometidos, os investigados poderão pegar penas máximas que, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
O que diz a Alba
Em nota, a presidente da Alba, deputada Ivana Bastos (PSD), informou que, assim que a Casa Legislativa for oficialmente notificada, adotará medidas internas cabíveis, em observância à Constituição, às leis e ao regimento interno. Disse ainda que assim que houver ciência oficial, o Conselho de Ética será acionado para analisar o caso de forma objetiva.
Fonte: G1 Bahia
