Irã: manifestante Erfan Soltani não será executado; tensão com os EUA continua

Por Gaby Santana

 

O Judiciário do Irã informou nesta quinta-feira (15) que o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, não foi condenado à pena de morte, contrariando informações divulgadas anteriormente por sua família. Soltani foi detido em sua residência após participar de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei e está atualmente no presídio central de Karaj.

De acordo com as autoridades iranianas, ele responde às acusações de “conluio contra a segurança interna do país” e “atividades de propaganda contra o regime”, crimes que não preveem pena de morte. A decisão veio após pressão de organizações internacionais de direitos humanos, que haviam informado sobre risco de execução.

Desde 28 de dezembro de 2025, milhares de iranianos têm saído às ruas em protestos contra o governo, motivados por alta inflação, desvalorização da moeda e deterioração das condições econômicas. Segundo ONGs que monitoram a situação, os protestos já resultaram na morte de mais de 3,4 mil pessoas, além de milhares de prisões.

A crise interna gerou nova escalada de tensões com os Estados Unidos. O presidente Donald Trump afirmou que os EUA adotariam “medidas muito duras” caso houvesse execução de manifestantes. Ele também indicou apoio aos protestos, afirmando que os iranianos estão “buscando liberdade” e que “ajuda está a caminho”.

Nos últimos dias, os EUA começaram a retirar parte de seus funcionários de bases militares estratégicas no Oriente Médio como medida de precaução. Na terça-feira (13), Trump reforçou que poderia agir com força caso o Irã executasse manifestantes. Autoridades de países europeus também emitiram alertas e, em alguns casos, fecharam temporariamente embaixadas no país.

Além disso, a situação no espaço aéreo iraniano chamou atenção: uma aeronave não tripulada dos EUA foi detectada próxima à costa do país, levando Teerã a fechar temporariamente o espaço aéreo para voos internacionais, em resposta à presença militar americana.

O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta quinta-feira para discutir a situação no Irã, enquanto o governo do país protesta contra as ações de Washington e denuncia interferência externa nos acontecimentos internos.

O caso de Erfan Soltani e os recentes protestos no Irã evidenciam uma crise política e econômica profunda, com riscos de escalada militar e crescente pressão internacional sobre o regime iraniano.

 

Fonte: CNN /G1

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