Por Gaby Santana
A prisão da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos ganhou novos desdobramentos após a divulgação de detalhes do inquérito que apura tortura e agressões contra uma trabalhadora doméstica grávida de 19 anos, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
Segundo informações divulgadas pela imprensa maranhense, a investigação aponta que a sessão de violência teria durado cerca de uma hora. Em depoimento, a vítima afirmou ter sido espancada com socos, tapas, puxões de cabelo e ameaçada com arma de fogo após ser acusada de furtar um anel da patroa.
O objeto, no entanto, foi encontrado posteriormente dentro de um cesto de roupas sujas da própria residência. Mesmo assim, de acordo com o relato da jovem, as agressões continuaram.
Um dos pontos que mais chocaram no caso foi a divulgação de áudios atribuídos à empresária. Nas gravações anexadas ao inquérito policial, Carolina admite ter participado das agressões e descreve cenas de violência extrema contra a funcionária, que estava grávida.
Ainda conforme a investigação, um homem que estaria junto da empresária também teria participado das agressões. A vítima relatou que o suspeito colocou uma arma dentro da boca dela enquanto ela permanecia ajoelhada.
O caso passou ainda a envolver a atuação da Polícia Militar do Maranhão. Quatro policiais militares que atenderam inicialmente a ocorrência foram afastados das funções após suspeitas de omissão durante o atendimento. A corporação instaurou sindicância para apurar a conduta dos agentes.
De acordo com a denúncia, mesmo apresentando hematomas aparentes, a jovem não teria sido conduzida imediatamente ao hospital, nem a empresária levada à delegacia naquele momento. A suspeita é de que um dos policiais teria relação de amizade com a investigada.
A Ordem dos Advogados do Brasil pediu oficialmente a prisão preventiva da empresária, classificando o episódio como “tortura agravada”. A entidade também solicitou investigação sobre possível conivência policial e identificação de um eventual comparsa envolvido nas agressões.
Outro fator que chamou a atenção das autoridades é o histórico judicial de Carolina Sthela. Conforme a polícia, ela responde a mais de dez processos judiciais. Entre eles, há condenação por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de furtar uma pulseira de ouro.
A trabalhadora doméstica agredida afirmou que trabalhava de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo. Segundo ela, exercia funções como limpeza da casa, preparo de refeições, lavagem de roupas e cuidados com o filho da empresária, recebendo pagamentos fracionados por contas de terceiros.
Carolina Sthela foi presa nesta quinta-feira (7), em Teresina, após mandado expedido pela Justiça do Maranhão. Enquanto a defesa sustenta que ela estava no estado vizinho para deixar o filho sob cuidados de conhecidos, a polícia afirma que a empresária tentava fugir.
