Canetas emagrecedoras sem registro na Anvisa preocupam especialistas

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta sobre o uso indiscriminado de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” por crianças e adolescentes. Segundo a entidade, a utilização desses produtos sem indicação médica e acompanhamento especializado pode representar riscos à saúde e afetar o desenvolvimento dos jovens.

A preocupação ganhou destaque após a divulgação de um vídeo nas redes sociais em que uma mãe aparece aplicando na filha de 17 anos, que tem autismo, um medicamento comprado no Paraguai e que não possui autorização de uso no Brasil.

No vídeo, a mulher afirma acompanhar a adolescente durante o tratamento e relata dificuldade para identificar possíveis reações, já que a filha não se comunica verbalmente.

“Ela não fala. Então, eu não sei ao certo o que ela está sentindo no seu corpo de efeito colateral que eu sei que poderia ter. Mas eu estou monitorando ela o tempo todo”, afirmou.

O uso de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é considerado irregular. O caso também chamou atenção porque outras pessoas comentaram a publicação relatando situações semelhantes envolvendo a compra de produtos no Paraguai para familiares.

Especialistas alertam para riscos

Apesar de serem chamadas popularmente de “canetas emagrecedoras”, especialistas afirmam que essa denominação pode banalizar o uso desses medicamentos, dando a impressão de que se trata de um produto simples e de consumo comum.

Segundo médicos, esses medicamentos podem apresentar resultados positivos quando utilizados dentro de critérios específicos, com prescrição, acompanhamento contínuo e como parte de um tratamento adequado.

O uso sem orientação pode levar à redução excessiva da ingestão de calorias e nutrientes importantes, comprometendo etapas fundamentais do desenvolvimento de adolescentes, como crescimento, formação óssea e ganho de massa muscular.

A médica Cristiane Kochi, do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, destaca que a prescrição para adolescentes precisa seguir critérios rigorosos.“A gente tem que ter uma prescrição muito séria com relação a essas medicações, com indicações precisas e com acompanhamento por especialista. Porque a gente está vendo um adolescente ainda em fase de crescimento”, afirmou.

Produtos sem registro podem trazer riscos

Além do uso sem acompanhamento médico, especialistas alertam para os riscos de medicamentos adquiridos sem registro da Anvisa.

Segundo Maria Edna de Melo, médica coordenadora de Advocacy da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), produtos não avaliados pelos órgãos reguladores podem apresentar problemas relacionados à composição e segurança.

“Quando o produto não está registrado, ele não está avaliado, ele não tem controle. Então, esse produto pode ter contaminação, pode ter variação da concentração da medicação nele ou até uma outra substância que a gente não sabe qual”, explicou.

A orientação dos especialistas é que qualquer tratamento para controle de peso em crianças e adolescentes seja realizado com avaliação médica individualizada, levando em consideração idade, fase de desenvolvimento, histórico de saúde e necessidades específicas de cada paciente.

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