Dólar abre em queda após divulgação de inflação dos EUA

O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (12), após alta de 1,02%, a R$ 5,164, na véspera, maior valor desde 3 de julho, quando encerrou o pregão a R$ 5,168. Nesta quarta, os investidores repercutem os dados de inflação dos Estados Unidos e seguem acompanhando a temporada de balanços.

No último pregão, a Bolsa também teve forte reação ao mercado e recuou 2,50%, aos 167.874 pontos, com grande parte das ações no território negativo. Foi o menor nível desde 20 de janeiro de 2026, quando o índice terminou o pregão aos 166.276 pontos.

Às 10h02, a moeda norte-americana tinha queda de 0,24%, cotada a R$ 5,150.

Os preços ao consumidor nos Estados Unidos registraram ligeiro aumento em julho. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,1% no mês passado, após cair 0,4% em junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Bureau of Labor Statistics, do Departamento do Trabalho dos EUA. Nos 12 meses até julho, o índice avançou 3,4%, após alta de 3,5% em junho.

Para Vinicius Flores, economista e sócio da Stratton Capital, os dados de inflação vieram em linha com as expectativas do mercado.

“Os dados de julho refletem, na minha opinião, a normalização dos dados de inflação americanos após um mês muito positivo em junho por conta da queda nos preços de energia.” Segundo ele, os dados de aluguéis contribuíram para aproximadamente dois terços do aumento da inflação em julho.

Flores afirma ainda que os dados apontam melhora no núcleo do CPI, que, apesar de continuar acima da meta de 2% do Federal Reserve, recuou de 2,6% para 2,5%.

“Com os dados extremamente em linha com as expectativas do mercado, acredito que o próximo número de inflação que será divulgado antes da decisão do Fed em setembro carregará mais peso para a decisão do comitê.” Segundo o especialista, com os dados atuais, a expectativa para a próxima decisão do Fed não deve mudar, com a probabilidade mais alta sendo a de manter as taxas de juros sem alteração.

O impacto imediato após a divulgação dos dados foi de queda nos rendimentos dos Treasuries e no dólar, medido pelo índice DXY. Às 10h04, o índice recuava 0,16%. Os rendimentos dos Treasuries caíam 0,78%.

No cenário doméstico, os investidores devem acompanhar os impactos dos balanços do Banco do Brasil, da Suzano e da Hapvida. Pela manhã, foram divulgados os dados sobre o setor de serviços do Brasil. O volume de serviços ficou estável em relação a maio e teve alta de 2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

André Valério, economista sênior do Inter, diz que o resultado de junho foi marcado pela disseminação de taxas negativas, com quatro das cinco atividades pesquisadas apresentando contração no mês. “Destacamos os recuos em serviços profissionais e nos serviços prestados às famílias, que recuaram 1,4% e 1,2%, respectivamente, indicando que tanto componentes da oferta quanto da demanda por serviços tiveram desempenho fraco em junho”, afirma.

A única atividade que expandiu em junho e impediu uma contração geral do setor foi a de informação e comunicação, que avançou 1,8%, reflexo da alta de 2,2% nos serviços de TI. Segundo Valério, apenas os serviços de TI são responsáveis por 56% do crescimento do setor de serviços observado até o momento em 2026.

Durante o último pregão, investidores repercutiram a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, e os dados de inflação de julho.

A ata reforçou a avaliação de que a inflação continua pressionada e que os juros precisam permanecer em nível elevado para desacelerar a economia. No documento do BC, o Copom afirmou que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário exige a manutenção dos juros em nível suficientemente elevado para frear a atividade econômica.

“O comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirmou.

Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, vê o comitê preocupado com as expectativas de inflação de longo prazo. “Os cortes, precificados em algumas casas, deixam de ser certo quando recebemos uma ata com um tom mais duro. E juros altos por mais tempo acabam sendo um veneno para a Bolsa”.

A divulgação do documento se somou a do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O indicador desacelerou a 0,07% em julho, após marcar 0,16% em junho, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa de 0,07% é a menor para meses de julho em quatro anos, desde 2022 (-0,68%). Com os dados de julho, o IPCA passou a acumular alta de 4,44% em 12 meses, após marcar 4,64% até junho. Assim, o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC.

O IPCA, contudo, ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0%, segundo a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de -0,1% a 0,07%. A leitura dos analistas é de que, apesar da desaceleração, o cenário permanece desafiador.

O pregão também foi pressionado por pesquisa eleitoral da CNT/MDA, que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%.

No primeiro turno da disputa, o petista soma 42,4%, enquanto Flávio soma 28,7% (13,7 pontos percentuais de diferença). Na pesquisa anterior, realizada em junho, Lula registrava 42%, enquanto Flávio somava 28%.

Para Guilherme Casa Grande Rodrigues, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, a pesquisa aumentou a incerteza sobre a política econômica e fiscal do próximo governo. “É esse prêmio de risco adicional que ajuda a explicar o motivo do real sofrer mais do que os pares. O movimento conversa diretamente com o alerta da ata do Copom de hoje”.

A pressão eleitoral também foi mencionada pelo JPMorgan ao reduzir a recomendação para ativos brasileiros. Em relatório, a instituição indicou que a volatilidade no período eleitoral, a queda mais lenta dos juros e um processo de desinflação mais demorado devem pressionar o mercado acionário brasileiro durante o ano.

No exterior, persistiem as incertezas em torno da guerra no Oriente Médio. Nesta terça, a violência voltou a escalar. Os Estados Unidos dispararam dois mísseis contra um navio que furou seu bloqueio ao Irã, e rebeldes pró-Teerã do Iêmen mataram quatro marinheiros em uma embarcação no mar Vermelho.

Os incidentes ocorreram em meio ao impasse diplomático vivido na região entre o governo de Donald Trump, que voltou a fazer ameaças aos iranianos, e a teocracia, em torno de um acordo para pôr fim à guerra iniciada por EUA e Israel no fim de fevereiro.

Às 10h06, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 88,72, com queda de 0,21%.

Fonte: Bahia Noticias

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