Por Gaby Santana
A empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira (26), após ser submetida a quatro procedimentos estéticos no Hospital Vida Memorial, em Ilhéus, no sul da Bahia. A causa da morte ainda não foi oficialmente esclarecida e o caso é investigado pela Polícia Civil.
Adriele morava nos Estados Unidos havia cerca de cinco anos e retornou à Bahia para realizar os procedimentos. Segundo informações divulgadas por familiares, ela passou por mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma.
De acordo com o advogado que representa a família, Adriele entrou no centro cirúrgico na terça-feira (25), por volta das 15h. A previsão inicial era de que a cirurgia fosse concluída até as 20h. Com o prolongamento do procedimento e a falta de informações, familiares procuraram a unidade hospitalar para saber o estado de saúde da empresária.
Ainda segundo a família, os parentes foram informados posteriormente de que Adriele havia passado mal e não resistido. Diante das dúvidas sobre o que teria acontecido, um boletim de ocorrência foi registrado.
Família questiona circunstâncias da morte
O advogado da família também questionou informações presentes na documentação médica. Segundo ele, o atestado de óbito não teria sido assinado pelo cirurgião plástico apontado como responsável pelos procedimentos.
O corpo de Adriele foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Ilhéus para a realização de exames que devem ajudar a esclarecer a causa da morte. A Polícia Civil informou que a 1ª Delegacia Territorial (DT) de Ilhéus investiga o caso e que já foram expedidas guias para perícia e remoção, além da realização de oitivas e outras diligências.
Defesa aponta possível hipertermia maligna
O cirurgião plástico responsável pelos procedimentos, Rossini Tebaldi Ruback, apresentou, por meio da defesa, uma versão diferente sobre o ocorrido.
Segundo os advogados, a cirurgia transcorreu sem intercorrências e, já na fase final, Adriele apresentou uma alteração grave e inesperada no quadro clínico. A defesa afirma que os sinais seriam compatíveis com hipertermia maligna, uma reação rara e potencialmente fatal relacionada à exposição a determinados agentes utilizados na anestesia.
Ainda conforme a manifestação, a equipe médica teria adotado medidas de emergência imediatamente, incluindo medicação específica e procedimentos para tentar estabilizar a paciente. Um cardiologista também teria participado das tentativas de socorro. Apesar das medidas, Adriele não teria respondido ao tratamento e morreu.
A defesa também negou que o médico tenha abandonado o hospital após a morte da paciente. Segundo os advogados, houve um episódio de violência e depredação na unidade, e a equipe médica teria sido orientada pela segurança a permanecer em uma área protegida até a chegada da Polícia Militar.
Médico já havia sido alvo de denúncias
O cirurgião citado no caso já havia sido alvo de denúncias de pacientes em 2023, que relataram supostas complicações após procedimentos realizados por ele. As denúncias foram levadas ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) e também às autoridades policiais.
O Cremeb informou, porém, que não há atualmente processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica que cite o médico responsável pela cirurgia de Adriele. O conselho também afirmou que os resultados das denúncias anteriores foram comunicados às partes, seguindo as regras de sigilo processual.
As circunstâncias da morte ainda estão sendo apuradas. A perícia, os prontuários médicos e os depoimentos devem ajudar a Polícia Civil a esclarecer o que aconteceu durante e após os procedimentos.


