Aplicativo com inteligência artificial criado na UESC ajuda produtores de cacau a identificar pragas e doenças

Ferramenta desenvolvida com participação da UESC funciona pelo WhatsApp e oferece diagnóstico preliminar gratuito para produtores

Por Gaby Santana 

 

Uma tecnologia desenvolvida com participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, no sul da Bahia, promete facilitar o dia a dia de produtores de cacau. O App do Cacau utiliza inteligência artificial para auxiliar na identificação de doenças, pragas e deficiências nutricionais que podem afetar as plantações.

A ferramenta foi lançada na terça-feira (25), durante a ExpoCacau 2026, realizada no Centro de Convenções de Ilhéus. O projeto reúne pesquisadores e especialistas do sul da Bahia, do Peru e da Holanda e tem como objetivo aproximar os produtores da assistência técnica, principalmente em regiões rurais onde o atendimento especializado pode demorar.

Como funciona o App do Cacau

O sistema funciona diretamente pelo WhatsApp, sem a necessidade de baixar um novo aplicativo. O produtor pode enviar fotos, vídeos, áudios ou mensagens de texto descrevendo o problema encontrado na plantação.

A inteligência artificial analisa as informações e apresenta, em poucos instantes, um diagnóstico preliminar, indicando possíveis doenças, pragas ou deficiências nutricionais. As respostas são apresentadas em linguagem simples e adaptadas à realidade do produtor rural.

Na fase inicial, o sistema foi preparado para reconhecer oito doenças, 11 pragas e deficiências de micronutrientes. Entre os problemas que podem ser identificados estão sintomas relacionados à vassoura-de-bruxa, uma das principais doenças do cacaueiro.

A ferramenta também foi treinada para reconhecer sinais de monilíase em diferentes estágios. A doença fúngica é acompanhada com atenção pelo setor cacaueiro devido ao seu potencial de causar grandes impactos na produção.

Tecnologia não substitui assistência técnica

Apesar de utilizar inteligência artificial, o App do Cacau não substitui a avaliação presencial de agrônomos, técnicos agrícolas ou outros profissionais especializados.

A proposta é oferecer uma primeira orientação ao produtor e ajudar a identificar situações que podem exigir a presença de um especialista. Dessa forma, a tecnologia pode diminuir o tempo entre a percepção de um problema na lavoura e a busca por assistência profissional.

A iniciativa é especialmente voltada para pequenos produtores e agricultores que vivem em áreas mais afastadas dos centros de atendimento técnico. Nessas regiões, a demora para identificar uma doença ou praga pode aumentar os prejuízos na produção.

Projeto reúne pesquisadores de três países

O projeto é coordenado pela professora doutora Deborah Faria, do Departamento de Ciências Biológicas da UESC. A equipe reúne especialistas de diferentes instituições do Brasil, Peru e Holanda.

O modelo de inteligência artificial foi desenvolvido pelo pesquisador Arun Pratihast, da Universidade de Wageningen, na Holanda. Pesquisadores peruanos também contribuíram para o projeto com informações e imagens utilizadas no desenvolvimento da ferramenta.

O desenvolvimento recebeu financiamento inicial do Instituto Arapyaú, com gestão do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e coordenação técnica da UESC.

Novas funções estão previstas

O projeto ainda está em fase de expansão. Entre os próximos objetivos dos pesquisadores estão o aumento do número de doenças, pragas e deficiências que podem ser identificadas pela inteligência artificial.

A equipe também pretende incorporar ferramentas voltadas ao manejo da lavoura, incluindo orientações relacionadas à adubação e poda, além de uma função para auxiliar na estimativa da produção da safra.

Como acessar

O App do Cacau é gratuito e Para acessar entre em www.appdocacau.org ou pelo whatsapp: 73 98433140, sem necessidade de instalar outro aplicativo no celular.

A iniciativa representa uma aproximação entre pesquisa científica, inteligência artificial e produção rural, com foco em facilitar o acesso a informações técnicas e ajudar produtores de cacau a identificar mais rapidamente possíveis problemas nas lavouras.

 

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