Após longos dias de buscas, agonia e sofrimento, finalmente, os familiares de Helmarta Sousa Santos Luz, puderam se despedir : Helmarta, carinhosamente conhecida como Martinha, teve sua vida interrompida de forma brutal aos 38 anos, vítima de um ato de feminicídio. O autor do crime, seu ex-companheiro Carlos Mendes Júnior, confessou o crime na última quinta-feira, mergulhando familiares e amigos em uma dor indescritível.
O adeus a Martinha teve início em Valença, município onde residia, e finalizou em Mutuípe, sua terra natal, no último sábado. Uma multidão, entre familiares, amigos e admiradores, prestou suas últimas homenagens à mulher que, em vida, cativava todos à sua volta com carinho e leveza. O semblante de cada pessoa presente refletia a profundidade da perda e o vazio deixado pela partida prematura de uma figura tão querida.
Em meio à comoção, as vozes que se erguiam não ecoavam apenas tristeza, mas também revolta. Martinha não foi apenas mais uma vítima; tornou-se um símbolo de uma luta que persiste, diariamente, em meio a números estarrecedores. Feminicídio — uma palavra que carrega o peso de milhares de histórias silenciadas e rostos que se escondem atrás de sorrisos para mascarar uma realidade de sofrimento.
Líderes políticos, empresários, amigos e anônimos se uniram em coro de indignação, clamando por justiça e o fim dessa violência que assola mulheres em todo o país. Martinha, em sua partida, reforça essa luta, agora imortalizada por sua história, pela sua memória e pelas vidas que tocou.
Para sua família, resta o consolo amargo de que, em meio ao desespero, Martinha viveu com propósito, lutando até o fim e cumprindo sua missão. Ela, agora, repousa em paz, mas deixa para trás uma chama acesa — a da luta pelo fim da violência de gênero, uma batalha que continua a ser travada por todos aqueles que permanecem.
Martinha se foi, mas sua voz ecoará para sempre.
