Bahia registra 759 ocorrências de racismo e intolerância religiosa; Salvador concentra 43,6% dos casos

O dia 21 de janeiro é celebrado em todo o Brasil como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, uma data instituída em memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá baiana vítima de ataques motivados por intolerância religiosa que se tornou símbolo da luta pela liberdade de crença. Essa data representa um momento de reflexão, mobilização social e educação para fortalecer o respeito à diversidade religiosa, um valor essencial em um país tão plural como o Brasil, cuja Constituição garante a liberdade de culto e a laicidade do Estado.

No contexto da Bahia, onde essa diversidade religiosa é parte intrínseca da identidade cultural e histórica, o desafio do combate à intolerância permanece especialmente urgente. O estado registrou cerca de 759 ocorrências relacionadas ao crime de racismo, que engloba práticas discriminatórias motivadas por raça, cor, religião ou procedência nacional, segundo dados divulgados pela Polícia Civil nesta quarta-feira, 21 de janeiro.

Do total de ocorrências registradas na Bahia, 329 aconteceram em Salvador, o que representa cerca de 43,6 % do total no estado — evidenciando que a capital concentra a maior parte dos casos de racismo e intolerância religiosa.

Apesar da enorme diversidade religiosa presente na Bahia, as estatísticas revelam que a grande maioria dos casos de violência e discriminação religiosa está direcionada contra as religiões de matriz africana. Conforme relato de autoridades da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, em Salvador 99 % dos casos registrados envolvem ataques contra tradições afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda — evidenciando como o preconceito religioso está profundamente entrelaçado com o racismo estrutural.

Esse cenário também reflete um contexto mais amplo: em todo o Brasil, o Disque 100 registrou 2.472 denúncias de intolerância religiosa em 2024, um crescimento de cerca de 66,8 % em relação ao ano anterior, divulgado justamente no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Combater a intolerância religiosa envolve não apenas denunciar e punir práticas discriminatórias, mas também investir em educação, diálogo inter-religioso, ações culturais e políticas públicas eficazes. É necessário fortalecer mecanismos institucionais como a atuação da Delegacia Especializada, eventos educativos em escolas e espaços públicos, e a própria divulgação de canais de denúncia — como o Disque 100, da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos — que recebem relatos de violência e desrespeito de forma sigilosa e gratuita.

O dia 21 de janeiro, portanto, não é apenas uma data comemorativa: é um chamado à ação contínua para que a sociedade reafirme o compromisso com o respeito às diferenças religiosas, com a promoção da igualdade racial e com a construção de um Brasil mais justo, democrático e livre de discriminação.

Por: Gaby Santana

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