Carne bovina fica mais cara no Brasil e arroba se aproxima de R$ 400; Bahia também registra alta

Valorização do boi gordo, oferta reduzida de animais para abate, exportações e maior procura no mercado interno pressionam os preços. Em Presidente Tancredo Neves, carne de sol teve reajuste de R$ 6 em menos de cinco dias.

Por Ana Sampaio

 

O preço da carne bovina voltou a chamar a atenção dos consumidores brasileiros no início de novembro. A valorização da arroba do boi gordo, que se aproxima de R$ 400 em algumas negociações, tem pressionado os custos em diferentes etapas da cadeia produtiva e pode chegar aos açougues e supermercados.

Na Bahia, o movimento também aparece nas cotações do mercado pecuário. Em 3 de novembro, a média estadual do boi gordo foi estimada em R$ 368,50 por arroba, segundo levantamento da plataforma Pastu. Na região Sul do estado, a cotação chegou a R$ 371, com avanço de R$ 5 em relação ao dia 30 de outubro. No Oeste baiano, a referência ficou em R$ 366.

No mercado nacional, a arroba chegou a R$ 389,90 no fechamento de outubro, conforme o indicador Cepea/Esalq, com valorização de aproximadamente 7% em relação ao fim de setembro. O valor representa uma alta de cerca de 22% na comparação com o encerramento de 2025.

Carne de sol chega perto de R$ 50 em Presidente Tancredo Neves

No Baixo Sul da Bahia, consumidores também sentem os efeitos dos reajustes. Em Presidente Tancredo Neves, o PTN News identificou um aumento de R$ 6 no quilo da carne de sol em um açougue da cidade, em menos de cinco dias.

Com a alteração, o produto se aproxima dos R$ 50 por quilo. O levantamento foi realizado em um estabelecimento específico e não representa uma pesquisa geral de preços nos açougues do município.

A carne de sol passa por um processo de salga e secagem, que provoca perda de água e reduz o peso da peça. Por isso, seu preço por quilo também depende do corte utilizado, do rendimento após o preparo, da mão de obra e dos custos de comercialização, além do valor da carne bovina in natura.

Por que a carne está ficando mais cara?

De acordo com análises de especialistas ouvidos pela Reuters e pelo Canal Rural, a valorização está relacionada principalmente a quatro fatores:

1. Menor oferta de bois para abate

O ciclo pecuário brasileiro passa por um período de oferta mais restrita. Pecuaristas estão segurando parte dos animais por mais tempo, favorecidos pelas condições das pastagens e pela expectativa de preços melhores. Com menos animais disponíveis, os frigoríficos precisam oferecer mais dinheiro para garantir o abastecimento.

2. Exportações e procura internacional

A demanda externa também influencia o mercado. A China se prepara para retomar as compras de carne brasileira entre novembro e dezembro, enquanto os Estados Unidos ampliaram a procura pelo produto nacional.

A expectativa de novos negócios internacionais aumenta a disputa dos frigoríficos pelos animais disponíveis no mercado brasileiro.

3. Valorização do dólar

A alta da moeda norte-americana torna a exportação mais atrativa para os frigoríficos, que recebem em dólares pelas vendas internacionais. Isso aumenta a competitividade da carne brasileira no exterior e pode pressionar os preços pagos aos pecuaristas.

4. Maior consumo no fim do ano

O período de festas, o pagamento do 13º salário e a movimentação da renda das famílias costumam estimular a procura por carne bovina. Quando a demanda aumenta e a oferta permanece limitada, a tendência é de pressão sobre os preços.

Quanto custa a carne bovina na Bahia?

Um levantamento de preços de supermercados baianos realizado em 24 de outubro encontrou uma mediana de R$ 49,99 por quilo entre 273 produtos de carne bovina pesquisados em 12 estabelecimentos.

A metade dos produtos analisados ficou na faixa entre R$ 39,98 e R$ 76,49 por quilo. Os valores variam conforme o corte, a marca e o estabelecimento. O levantamento considera preços de supermercados on-line, portanto não representa uma cotação exclusiva de açougues.

Preços podem continuar pressionados

A avaliação de especialistas do mercado pecuário é de que a oferta restrita e a procura interna e internacional devem manter a arroba em patamares elevados nos próximos meses.

O cenário indica que o consumidor poderá continuar encontrando preços elevados nos açougues, especialmente em um período de maior procura por alimentos para as confraternizações de fim de ano.

RELACIONADAS

MAIS RECENTES