A procura de brasileiros por investimentos no exterior aumentou após as eleições presidenciais de 2026. A Avenue, plataforma de investimentos internacionais ligada ao Itaú, registrou crescimento expressivo na abertura de contas e na movimentação de recursos nos dias seguintes aos dois turnos da votação.
Segundo dados divulgados pela empresa, no dia 5 de outubro, primeiro dia útil após o primeiro turno, a abertura de contas ficou 130% acima da média diária registrada naquele mês. Na mesma data, a captação líquida — diferença entre os valores recebidos e retirados da plataforma — foi 8,2 vezes maior do que em um dia habitual.
O movimento ganhou força depois do segundo turno, realizado em 25 de outubro. No dia seguinte, 26 de outubro, a Avenue registrou o maior número de novas contas abertas em 2026. Nos dois dias seguintes, os novos cadastros ficaram 60% acima da média diária do ano, conforme os dados divulgados sobre a plataforma.
A empresa também informou que a entrada líquida de recursos permaneceu entre três e quatro vezes acima da média diária recente nos dias posteriores à votação.
Instabilidade econômica e busca por proteção patrimonial
Especialistas apontam que a procura por investimentos internacionais está relacionada à preocupação de parte dos brasileiros com o cenário econômico nacional e à intenção de reduzir a concentração do patrimônio em reais.
A estratégia de diversificação permite distribuir recursos entre diferentes moedas, mercados e tipos de aplicações. Dessa forma, o investidor não fica totalmente dependente do desempenho da economia brasileira.
As contas internacionais, que inicialmente eram utilizadas principalmente para pagamentos durante viagens e compras no exterior, passaram a funcionar também como alternativa para manter reservas em moeda estrangeira e investir em ativos de outros países, como ações, títulos de renda fixa e fundos de investimento.
Banco Central registra crescimento de declarantes com recursos no exterior
Os dados do Banco Central também mostram a expansão dos brasileiros com patrimônio fora do país. Em 2025, aproximadamente 32,4 mil pessoas físicas e empresas declararam possuir ativos no exterior. Entre elas, 28,3 mil eram pessoas físicas.
A comparação histórica, entretanto, exige atenção. Desde 2020, a declaração anual de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) é obrigatória para residentes no Brasil que possuem ativos no exterior em valor igual ou superior a US$ 1 milhão. Antes, o limite era de US$ 100 mil.
A exigência não significa que apenas pessoas com esse patrimônio podem investir fora do Brasil, mas estabelece o valor a partir do qual a declaração específica ao Banco Central se torna obrigatória.
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Bancos digitais ampliam acesso aos investimentos internacionais
A popularização de bancos digitais e corretoras com operações internacionais também contribuiu para ampliar o acesso a esse mercado.
Anteriormente, investir diretamente no exterior era uma alternativa mais concentrada entre clientes de alta renda, que tinham acesso a serviços especializados, como estruturas de private banking e contas bancárias internacionais.
Com a oferta de plataformas digitais, os brasileiros passaram a encontrar mais alternativas para abrir contas, transferir recursos e acessar aplicações internacionais.
Apesar da expansão, especialistas ressaltam que investir no exterior envolve riscos, como oscilações cambiais e variações nos preços dos ativos. A diversificação pode reduzir a concentração em um único mercado, mas não elimina a possibilidade de perdas.
Os números da Avenue demonstram o aumento da procura pelos serviços da plataforma após as eleições, mas não representam, isoladamente, o comportamento de todos os investidores brasileiros ou uma saída generalizada de recursos do país.
Fontes: Veja, Banco Central do Brasil e Folha de S.Paulo.

