A chegada inesperada de 41 imigrantes venezuelanos a Montes Claros, em Minas Gerais, está mobilizando órgãos públicos e órgãos de controle. Uma reunião marcada para esta segunda-feira (17) deve reunir representantes da Prefeitura, do Ministério Público de Minas Gerais e da Defensoria Pública para definir os próximos passos do acolhimento emergencial.
Os imigrantes fazem parte de sete famílias indígenas da etnia Warao, com 14 adultos – quatro deles gestantes – e 27 crianças. Eles foram deixados na rodoviária da cidade na madrugada de sábado (15), após viajarem cerca de 680 quilômetros desde Itabuna, no sul da Bahia, onde viviam há aproximadamente quatro anos em um programa municipal de acolhimento que foi encerrado. A Prefeitura de Montes Claros solicitou que o abandono fosse registrado em boletim de ocorrência pela Polícia Militar.
Atualmente, todo o grupo está instalado no Ginásio Municipal Ana Lopes, transformado em abrigo temporário pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. No espaço, recebem alimentação, roupas, itens de higiene e atendimento básico de saúde. Segundo o município, a prioridade inicial foi garantir condições mínimas de segurança, especialmente para as crianças.
Um representante do grupo relatou que, em Itabuna, eles viviam em uma residência com despesas custeadas pelo município, mas que os pagamentos teriam sido interrompidos. Sem alternativa, teriam sido deixados na rua antes do embarque para Minas Gerais.
A Prefeitura de Montes Claros afirmou que não teve qualquer participação no deslocamento. Em nota, declarou: “A Prefeitura de Montes Claros reforça seu compromisso com a proteção social, a dignidade humana e a atuação responsável diante de situações emergenciais, ao mesmo tempo em que esclarece que não participou, não autorizou e não foi previamente comunicada sobre o transporte e o desembarque dessas famílias.”
A Polícia Federal informou que foi acionada e que vai analisar a documentação dos venezuelanos.
Em nota, a Prefeitura de Itabuna apresentou uma versão distinta. O município afirmou que os próprios líderes decidiram pela transferência durante uma reunião realizada na quarta-feira (12) e solicitaram o ônibus, além de mantimentos e fraldas, para seguir até Montes Claros.
“Com a decisão coletiva, os líderes solicitaram à Prefeitura a cessão de um ônibus para que o grupo integrado por sete famílias, um total de 41 pessoas, sendo sete homens, sete mulheres e 27 crianças, fizesse a viagem. Além disso, pediram mantimentos e fraldas para a jornada à cidade mineira”, diz a nota.
O texto acrescenta que as famílias receberam assistência à saúde e à educação durante o período em que foram acolhidas em Itabuna. O município afirma ainda ter contado com o apoio do MPF, do MP-BA e da Polícia Federal para o desarquivamento dos processos de refúgio no Sisconare e emissão das Carteiras de Registro Nacional Migratório.
Por fim, a prefeitura baiana diz que os caciques assinaram um Termo de Declaração junto à equipe técnica do Centro Pop, confirmando o desligamento voluntário e por iniciativa do grupo.
Fonte: G1 Bahia
