‘Foi tão forte que o chão do quarto da minha filha desabou’, diz moradora de prédio que teve explosão de gás

Uma moradora do apartamento 304 do condomínio atingido pela explosão no bairro do Stiep, em Salvador, relatou que sentiu cheiro forte de gás antes do incidente e afirmou que o síndico já havia acionado o Corpo de Bombeiros quando ocorreu a explosão. Ela contou que a explosão foi tão violenta que o chão do quarto de sua filha desabou na hora. O prédio de quatro andares faz parte de um conjunto com oito edifícios no Vale dos Rios.

O incêndio começou depois da explosão de um botijão de gás em um apartamento que estava fechado – segundo os vizinhos, o morador estava viajando porque vive parte do tempo no interior do estado.

“O meu apartamento é o 304. A gente sentiu cedo o cheiro forte de gás e seu Zé Carlos, que é o síndico do prédio, acionou os bombeiros. Eles já estavam entrando, todos paramentados, quando a gente ouviu a explosão”, contou ela para a TV Bahia. “A explosão foi no apartamento de baixo, do lado do meu. Foi tão forte que o chão do quarto da minha filha desabou. Quando eu vi isso, percebi que tinha risco de desabar o resto do prédio. Eu só peguei minha cachorrinha e elas três. Molhamos toalhas, colocamos no rosto e saímos pelo corredor.”

A família se abrigou no apartamento de um vizinho enquanto aguardava resgate. “Entrou um pouco de fumaça no quarto. Usamos colchões e lençóis para isolar a porta e pedimos mais toalhas molhadas para conseguir respirar melhor. A intenção nunca foi pular. A gente estava esperando os bombeiros resolverem.”

A mãe da moradora, de 79 anos, precisou de atendimento médico. “Ela é hipertensa, nunca passou por isso. Ficou muito nervosa. Na hora, minha preocupação era só com ela. Mas parece que está tudo bem. A gente está vivo, o resto a gente vê depois.”

Vizinho ajudou

Um jovem identificado como Ives, morador de prédio da rua, se feriu ao tentar ajudar os presos nos andares superiores. “Eu estava dentro de casa. A população pediu toalha molhada e, como minha casa é bem do lado do prédio que estourou, eu molhei uma toalha e fui levar. Tinha muito vidro caindo. Quando subi a escada, ela cedeu um pouco, bateu no meu pé e cortou.”

Ele recebeu atendimento no local. “O Samu fez o primeiro curativo. Está tranquilo”, afirmou.

Samu detalha número de vítimas e atendimentos

O coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Ivan Paiva, informou que 12 vítimas foram contabilizadas inicialmente. Todas passaram por triagem para definição da gravidade e encaminhamento.

“Essa informação ainda pode mudar, porque as vítimas são removidas pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu. Mas, preliminarmente, foram 12 vítimas. Duas foram encaminhadas ao Hospital Municipal; uma ao Hospital Teresa de Lisieux; três ao Hospital Geral do Estado; e uma ao Hospital da Bahia.

“As vítimas são leves a moderadas, com queimaduras superficiais, de primeiro grau, e casos de inalação de fumaça. A princípio, nenhuma vítima com maior gravidade.”

O Samu mobilizou entre quatro e seis viaturas ao longo da ocorrência, mantendo equipes de prontidão para eventual necessidade adicional.

Rachaduras e risco

Após a explosão, foram identificadas rachaduras na estrutura do prédio. Segundo o comandante, a situação exige monitoramento constante.

“A principal preocupação é que existem muitas rachaduras e precisamos avaliar com constância a possibilidade de colapso nessa estrutura. A princípio, elas estão estabilizadas, mas a dinâmica de um acidente como esse pode provocar movimentação.”

A Defesa Civil de Salvador (Codesal) informou que fará a avaliação técnica detalhada assim que o incêndio for completamente debelado e concluído o trabalho de rescaldo.

As causas do acidente ainda serão apuradas pela Polícia Civil, que deve instaurar inquérito para investigar as circunstâncias da explosão.

Fonte: Jornal Correio

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