Por Gaby Santana
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltaram a registrar atritos após a indicação do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) para relatar o projeto da Lei Antifacção.
Segundo a equipe presidencial, Motta agiu de forma desleal ao escolher Derrite, secretário de Segurança licenciado do governador de São Paulo, considerado adversário político de Lula, para conduzir a análise de uma proposta central de segurança pública. A medida, avaliam os assessores do Planalto, é estratégica para o governo, especialmente em um tema em que a esquerda se considera vulnerável.
Motta, por sua vez, rebateu as acusações, afirmando que a proposta deve ser tratada de forma técnica e não partidária. Ele renomeou o projeto como “Marco Legal do Combate ao Crime Organizado” e destacou que “não importa de onde a ideia vem, se ela é boa para o país, a gente leva adiante”.
O presidente Lula teria expressado sua insatisfação diretamente a Motta, em contato telefônico no sábado (9). Assessores presidenciais apontam que o presidente da Câmara teria adotado um “jogo duplo”, ora apoiando o governo, ora atuando em sintonia com a oposição. Interlocutores de Motta, no entanto, defendem que sua função é justamente dialogar com todos os grupos dentro da Casa.
Em busca de conciliar os lados, Motta afirmou: “O PL do Marco traz o melhor do PL apresentado pelo governo federal e o melhor de iniciativas debatidas dentro do Congresso. E tudo isso sem perder a nossa soberania.”
O episódio evidencia o desafio do governo Lula em manter coesão política na Câmara enquanto temas sensíveis, como segurança pública, avançam no Congresso.
Fonte : g1
