Tarcísio de Freitas quer ser candidato a presidente em 2030 e aconselhou Flávio Bolsonaro a não deixar o Brasil

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que aconselhou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a permanecer no Brasil após a derrota na eleição presidencial de 2026. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada na quarta-feira (28), Tarcísio disse que não sabia dos planos do aliado de viajar para os Estados Unidos e relatou que a orientação foi compartilhada por advogados e outros integrantes do grupo político.

Segundo o governador, ele, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e os advogados presentes em uma reunião recomendaram que Flávio permanecesse no país e utilizasse os instrumentos legais para questionar eventuais irregularidades eleitorais.

Tarcísio também criticou a atuação da Polícia Federal na solicitação de medidas contra o senador. “Uma pessoa que acabou de conquistar 60 milhões de votos, minutos depois da proclamação do resultado, já está sendo ali admoestado pela Polícia Federal, mas com que base?”, questionou na entrevista.

O governador afirmou que não julgava a decisão de Flávio de deixar o Brasil, mas disse que o conselho dado durante o encontro foi para que ele não viajasse. Tarcísio também reconheceu o resultado das urnas e afirmou que eventuais questionamentos deveriam ser apresentados à Justiça Eleitoral.

Viagem aos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas, e chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28). Segundo informações da Polícia Federal e de veículos de imprensa, o senador atravessou a fronteira terrestre com a Argentina e embarcou em um avião particular, que fez escala em Guayaquil, no Equador.

A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes e não deixasse o país. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga. A corporação informou que os documentos brasileiros foram cancelados após o descumprimento da ordem.

Investigações no Supremo

O senador é investigado em dois procedimentos que tramitam no STF. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, relacionado a operações de empresas e plataformas de apostas. A investigação também examina movimentações financeiras associadas à Rede Loto.

O outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação examina possíveis repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao projeto.

As apurações ainda estão em andamento. Flávio e Willer Tomaz negam irregularidades. A existência dos inquéritos não significa que os investigados tenham sido condenados.

O que acontece com o foro após o mandato

O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado termina em 2027. Com o fim do cargo, ele deixa de ter foro por prerrogativa de função em razão do mandato parlamentar. Entretanto, uma decisão do STF de 2025 estabeleceu que a competência do tribunal pode ser mantida mesmo após o encerramento do exercício do cargo, quando os crimes investigados tiverem sido praticados durante o mandato e estiverem relacionados às funções desempenhadas.

Por isso, a saída de Flávio do Senado não significa, automaticamente, que os procedimentos em andamento serão transferidos para outra instância. A definição depende da natureza dos fatos investigados e da decisão do próprio Supremo.

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