O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou, na quarta-feira (28), um editorial no qual acusa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover uma suposta “vingança política” contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno da eleição presidencial. O texto questiona a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e levanta dúvidas sobre a imparcialidade das instituições judiciais brasileiras.
Intitulado “To Brazil’s Victor Goes Political Revenge” (“Ao vencedor do Brasil, a vingança política”, em tradução livre), o editorial relaciona a determinação para que Flávio entregasse seus passaportes ao contexto posterior ao resultado eleitoral. A medida foi determinada por Moraes após solicitação da Polícia Federal, que apontou risco de o senador deixar o país durante uma investigação.
O jornal afirma que Flávio não havia sido formalmente acusado de crime e questiona se ele teria garantias de um julgamento justo no Brasil. No entanto, o senador é investigado em procedimentos que apuram suspeitas de irregularidades financeiras, incluindo lavagem de dinheiro. Ele nega qualquer envolvimento em práticas ilegais.
O editorial também critica a atuação de Alexandre de Moraes e questiona a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Para sustentar suas críticas, o conselho editorial menciona o voto divergente do ministro Luiz Fux, que apresentou questionamentos sobre aspectos processuais do julgamento.
Outro ponto abordado é a concessão de vistos pelos Estados Unidos a Flávio e seus familiares. O jornal considera a medida uma forma justificável de proteção política. O senador chegou a Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil e passar pela Argentina.
Na parte final, o Wall Street Journal destaca o papel do Senado na preservação da independência do Judiciário, especialmente diante da possibilidade de Lula indicar novos ministros para o STF durante seu mandato.
O editorial conclui com um alerta sobre os riscos de concentração de poder e enfraquecimento das instituições democráticas:
“Países que passam da liberdade à autocracia seguem um caminho semelhante: um demagogo vence nas urnas, toma o controle do Judiciário e prende seus inimigos. Onde as instituições são fortes, o Estado de Direito pode sobreviver. Não está claro se o Brasil conseguirá”, afirma o texto.
As críticas publicadas pelo jornal representam a posição de seu conselho editorial e não constituem, por si só, comprovação de perseguição política ou de irregularidades nas decisões judiciais brasileiras.

