Por Rádio interativa FM
As consequências de uma blitz do Detran-BA realizada em Mutuípe na última sexta-feira (28) continuam repercutindo. Nesta segunda-feira (30), o vereador e presidente da Câmara Municipal, Júnior Cardoso, criticou duramente a ação durante participação por telefone no programa Cara a Cara com o Povo, transmitido ao meio-dia pela Rádio Interativa FM. As declarações geraram forte repercussão e foram prontamente rebatidas pelo comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar, capitão Alex Gondim, que também participou do programa por telefone e repudiou as falas do parlamentar.
A blitz integrou a Operação “Lei Seca”, ação nacional coordenada pelo Denatran, com apoio do Detran-BA e da Polícia Militar. A fiscalização resultou na apreensão de 14 veículos (7 carros e 7 motocicletas) e na retirada de circulação de 14 motoristas flagrados dirigindo sob efeito de álcool. Diversos pontos da cidade foram alvos da operação, que também identificou motos com placas adulteradas e infrações como ausência de CNH e licenciamento vencido (CRLV).
Durante sua fala, Júnior Cardoso classificou as abordagens como “grosseiras” e “arbitrárias”, criticando a postura dos agentes envolvidos:
“Dizer que a maioria das motos de Mutuípe tem cunho de roubo não cabe. […] A polícia que bebe no volante não pode fazer blitz de lei seca. A gente vê manchetes de polícia envolvida em muitos crimes”, disparou.
O vereador ainda levantou suspeitas sobre a atuação dos guinchos utilizados na operação:
“Isso tem característica da máfia do guincho. A Câmara irá se manifestar sobre isso, sim.”
PM rebate e cobra retratação
Pouco depois, também por telefone, o capitão Alex Gondim respondeu às críticas, classificando-as como “infelizes” e “perigosas”. Ele esclareceu que a operação foi conduzida pelo Detran-BA, com apoio da Polícia Militar, e negou qualquer irregularidade nos procedimentos adotados:
“A Polícia Militar repudia a fala do vereador. Ele generalizou de forma equivocada. A blitz foi do Detran, órgão constitucional, e os guinchos são credenciados oficialmente.”
Gondim enfatizou que, apesar de existirem casos pontuais de má conduta em qualquer instituição, generalizações são prejudiciais e injustas:
“Se ele acredita que há corrupção, que leve os nomes e provas. A Polícia Militar é uma instituição valorosa, essencial para a ordem pública.”
O comandante informou ainda que as declarações do vereador serão encaminhadas à Associação da Polícia Militar e cobrou uma retratação:
“Tenho apreço pelo vereador Júnior Cardoso, mas espero que ele se desculpe com a Polícia Militar da Bahia. Nossa função é manter a ordem e apoiar os órgãos competentes.”
Repercussão
Segundo o oficial, a repercussão das falas causou indignação entre policiais da região. Gondim lamentou que o vereador tenha optado por críticas públicas sem buscar diálogo com a corporação:
“Ele poderia ter nos procurado. A porta está aberta. Mas generalizar, ainda mais sem envolvimento direto da PM na blitz, foi inaceitável”, finalizou.
