Produtores rurais em Presidente Tancredo Neves enfrentam queda no preço do cacau e intensificam protestos

Por Ana Sampaio

Produtores rurais da região de Presidente Tancredo Neves, no sul da Bahia, vivem um período de grande preocupação diante da forte queda no preço da arroba do cacau — principal produto agrícola da área. A cotação do produto chegou a ser negociada por cerca de R$ 170 a arroba, valor considerado baixo por agricultores familiares que dependem da cultura para manter sua lavoura e sustento familiar.

Segundo relatos de trabalhadores do campo, a diminuição do valor recebido pela produção tem dificultado a realização de investimentos básicos, como a compra de insumos, manutenção das plantações e a contratação de mão de obra. Para muitos, a atual conjuntura ameaça a continuidade da agricultura familiar na região e pode comprometer a qualidade de vida das comunidades rurais.

O cenário local reflete uma tendência mais ampla do setor cacaueiro no estado. Produtores no sul da Bahia têm organizado protestos e manifestações para chamar atenção das autoridades e da sociedade para o que consideram um deságio injusto nas negociações com a indústria moageira e o impacto da importação de amêndoas de países africanos sobre os preços domésticos. Em algumas ações, ruralistas chegaram a interditar trechos de rodovias federais para reforçar suas reivindicações por políticas que protejam a cadeia produtiva e valorizem o produto nacional.

Representantes da agricultura familiar argumentam que a chegada de cacau importado com incentivos fiscais, incluindo regimes de drawback que reduzem impostos para importação seguida de processamento para exportação, pressiona para baixo os preços pagos aos produtores locais. Essa situação, segundo os agricultores, reduz a competitividade dos cacauicultores brasileiros frente ao mercado internacional e agrava as margens já apertadas da produção familiar.

Em resposta às pressões do setor, o governo da Bahia se reuniu com lideranças rurais para discutir iniciativas de apoio à cadeia cacaueira. Durante encontros no início de fevereiro, foi anunciada a criação de uma comissão e a formulação de um plano de trabalho com representantes do governo estadual, municípios e entidades produtivas para avaliar alternativas e medidas que visem dar mais estabilidade ao preço do cacau e fortalecer o setor produtivo.

Enquanto isso, agricultores da região acompanham com atenção as oscilações do mercado e cobram ações concretas que possam garantir condições dignas de trabalho e renda para quem vive da terra — numa economia profundamente ligada à cultura cacaueira e à agricultura familiar.

No contexto global, o mercado de cacau tem apresentado volatilidade nos últimos meses. Após picos históricos nos preços em 2024, o setor enfrenta queda de valores no início de 2026, refletindo uma correção de mercado após altas abruptas e mudanças na demanda internacional.

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