Crise do Cacau na Costa do Marfim: Estoques Empilham e Produtores Sofrem

Por Ana Sampaio

Sacos de grãos de cacau estão empilhados até o teto nos armazéns da cooperativa de Sekou Dagnogo na cidade de Duekoue, no oeste da Costa do Marfim, devido à falta de compradores dispostos a pagar o preço oficial estabelecido pelo governo.

 

O governo do país — maior produtor mundial de cacau — havia fixado o preço mínimo de 2.800 francos CFA (aproximadamente US$ 5,09) por quilo no início da safra 2025/26. No entanto, com a queda dos preços globais da commodity aos níveis mais baixos em mais de dois anos, muitos exportadores estão se recusando a comprar o produto por esse valor, alegando que ele se tornou caro demais diante da queda da demanda internacional.

Estoque cresce e dívidas aumentam

Dagnogo explica que sua cooperativa depende da venda desses grãos de cacau para pagar os agricultores. Mas, com as vendas travadas, os estoques estão se acumulando e as dívidas junto aos produtores aumentam. “As coisas não andam bem há algum tempo… tudo está parado no momento e atualmente devemos muito dinheiro aos agricultores”, disse ele à Reuters.

O regulador nacional, o Conselho do Café e do Cacau, iniciou um programa para comprar 100 mil toneladas métricas dos estoques não vendidos e evitar que a qualidade dos grãos se deteriore devido às condições precárias de armazenamento. Dagnogo afirma que foi assegurado às cooperativas que o produto será recomprado.

Agricultores sem opções de preço

No campo, produtores como Frederic Kouassi Kouassi relatam estar recebendo ofertas muito abaixo do preço oficial, como 1.500 ou 1.800 francos CFA por quilo, valor proibido pelo regulador. Sem alternativa, muitos se veem forçados a aceitar esses preços menores por falta de recursos.

Kouassi Kouassi guarda sacos de feijão em casa por medo de acumular muitos grãos de cacau antes da próxima safra intermediária, que vai de abril a setembro. “Se alguém vier e lhe oferecer pelo menos 500 francos CFA para vender o que está lá… você aceita e nunca se desanima”, disse.

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