Por Ana Sampaio
A Justiça da Bahia absolveu Thierry Lima da Silva, acusado de envolvimento nas mortes de três mulheres encontradas em uma área de mata nas proximidades da Praia dos Milionários, em Ilhéus, no sul do estado. A sentença foi assinada em 8 de outubro de 2026, pela juíza Emanuele Vita Leite Armede, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ilhéus.
A decisão considerou que as provas reunidas durante a investigação não eram suficientes para comprovar a participação do acusado nos assassinatos. Thierry respondia por três crimes de latrocínio, caracterizados por roubo seguido de morte.
Apesar da absolvição nesse processo, ele continua preso no Conjunto Penal de Itabuna, por causa de uma prisão preventiva relacionada a outro caso, no qual é acusado da morte do próprio companheiro.
Justiça aponta fragilidades nas provas
Entre os elementos analisados pela magistrada estão a confissão atribuída a Thierry durante a investigação e o reconhecimento fotográfico realizado por uma testemunha.
Conforme a sentença, parte das declarações atribuídas ao acusado teria ocorrido em conversas informais com policiais, sem gravação ou registro formal. Em juízo, Thierry negou ter confessado os assassinatos.
O reconhecimento fotográfico também foi considerado inválido. A testemunha já havia tido contato com uma fotografia do suspeito divulgada pela imprensa antes de comparecer à delegacia. Além disso, teria recebido apenas imagens de Thierry, sem fotografias de outras pessoas para comparação.
A decisão também destacou a ausência de provas técnicas que relacionassem diretamente o acusado às vítimas e ao local dos crimes. Não foram encontrados vestígios genéticos que comprovassem sua participação nos assassinatos.
Com base no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, que prevê absolvição quando não existem provas suficientes para condenação, a Justiça determinou a revogação da prisão preventiva referente a esse processo.
Ministério Público recorreu da absolvição
O Ministério Público da Bahia (MP-BA), responsável pela denúncia, apresentou recurso contra a decisão cinco dias após a sentença. O órgão também solicitou o restabelecimento da prisão preventiva de Thierry, mas o pedido foi rejeitado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), conforme informações divulgadas pela imprensa.
A absolvição, portanto, não significa que o acusado tenha sido colocado em liberdade. Ele permanece custodiado por causa de outro mandado de prisão preventiva, relacionado à investigação da morte de Lucas dos Santos Nascimento, seu companheiro.
O processo referente a esse outro homicídio tramita separadamente e não foi alcançado pela decisão de absolvição no caso das três mulheres.
Relembre o caso
As vítimas foram Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41, e Mariana Bastos da Silva, de 20 anos, filha de Maria Helena.
As três saíram para caminhar na tarde de 15 de agosto de 2025, na região da Praia dos Milionários, em Ilhéus. Os corpos foram encontrados no dia seguinte, em uma área de vegetação nos fundos da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).
Os exames apontaram que as vítimas foram mortas com golpes de arma branca. A Polícia Civil concluiu o inquérito em dezembro de 2025 e apontou Thierry como responsável pelos crimes. Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia por triplo latrocínio.
Com a absolvição e o recurso apresentado pelo Ministério Público, o caso permanece sujeito a novos desdobramentos judiciais.

