Por Ana Sampaio
Em um cenário que surpreende consumidores e feirantes, a jaca — tradicionalmente associada à fartura e até encontrada gratuitamente em quintais — tornou-se um dos produtos mais caros nas feiras livres da Bahia, chegando a custar até R$ 70,00 por unidade em vários pontos de venda.
A alta significativa do preço da fruta tem explicação em diversos fatores que combinam oferta reduzida e demanda crescente. A entressafra e as condições climáticas desfavoráveis contribuíram para a queda na produção das jaqueiras, reduzindo a disponibilidade nas centrais de abastecimento e feiras.
Paralelamente, a procura pela jaca verde tem aumentado, impulsionada pelo seu uso como substituto da carne em receitas vegetarianas e veganas — onde a textura da fruta atende bem a pratos que imitam proteínas animais. Essa mudança nos hábitos alimentares pressionou ainda mais a oferta, fazendo com que parte da colheita seja colhida precocemente e vendida diretamente por produtores.
Com menos produto circulando nas centrais de distribuição, muitos feirantes passaram a negociar diretamente com proprietários de jaqueiras, transformando o que antes era uma fruta encontrada à vontade em quintais e rodovias em fonte de renda comercial.
Feirantes relatam dificuldade para repor estoque e dizem que, diante da escassez, o repasse do preço ao consumidor final tem sido inevitável. Enquanto isso, consumidores enfrentam um novo quadro: decidir entre pagar valores inéditos ou esperar pela próxima safra para consumir a fruta que sempre foi vista como comum no estado.
