Indígenas que ocupavam as instalações do terminal portuário da empresa Cargill em Santarém (PA) estão se preparando para desocupar o local nos próximos dois dias, após obter uma vitória em sua principal reivindicação: a revogação de um decreto federal que autorizava a inclusão de importantes rios amazônicos — como Tapajós, Madeira e Tocantins — em um programa de privatização de hidrovias.
A informação foi confirmada por lideranças indígenas, que afirmaram que o grupo ocupará as instalações por cerca de mais 48 horas antes de deixar o local. Segundo a liderança Alessandra Munduruku, os manifestantes estão organizando o transporte e cuidando da limpeza do espaço, já que há muitas crianças e pessoas não preparadas para a retirada imediata sem apoio logístico. Ela observou que muitos precisarão de barcos para retornar às suas aldeias ao longo do rio.
As mobilizações começaram há mais de um mês, com indígenas bloqueando o terminal e a entrada de caminhões, em protesto contra um decreto que, segundo eles, poderia permitir a dragagem das hidrovias e impactar a qualidade da água e a pesca de que dependem para sobreviver. A revogação do decreto foi publicada no Diário Oficial da União, após uma longa negociação entre lideranças indígenas e representantes do governo federal, e é vista pelo movimento como uma conquista histórica em defesa dos rios e dos modos de vida tradicionais.
As lideranças reforçam que a retirada será feita de forma organizada, com atenção à logística e ao retorno das famílias às zonas rurais e aldeias, concluindo assim uma das maiores mobilizações indígenas recentes contra intervenções em territórios amazônicos.
