Telescópio da Nasa deve cair na Terra nesta quarta-feira após 22 anos em órbita

O observatório espacial Neil Gehrels Swift, da Nasa, tem previsão de reentrar na atmosfera terrestre nesta quarta-feira (4), após aproximadamente 22 anos de atividades científicas. Com cerca de 1,5 tonelada, o equipamento deverá se desintegrar em grande parte durante a passagem pela atmosfera, mas alguns componentes mais resistentes podem chegar ao solo.

Na tarde de terça-feira (3), a organização Aerospace Corporation estimava que a reentrada aconteceria por volta das 7h12 desta quarta-feira, no horário de Brasília, com uma margem de variação de oito horas para mais ou para menos.

Segundo a Nasa, possíveis fragmentos incluem peças de titânio, como suportes, anéis e conexões, além de componentes do conjunto de espelhos produzido com níquel. Apesar da possibilidade de destroços atingirem a superfície, a agência considera muito baixa a probabilidade de alguém ser atingido.

A trajetória prevista passa por regiões da África, América Central e do Sul, Ásia e Austrália. A Nasa ressalta que a maior parte do observatório deverá queimar durante a reentrada, reduzindo significativamente a quantidade de material que pode alcançar o solo.

Missão contribuiu para estudos sobre explosões no universo

Lançado em 20 de novembro de 2004, o Swift foi desenvolvido para detectar e observar os chamados surtos de raios gama, fenômenos extremamente energéticos associados a eventos cósmicos, como explosões de estrelas e colisões de estrelas de nêutrons.

Uma das principais características do observatório era a capacidade de identificar rapidamente esses eventos e direcionar seus instrumentos para acompanhar o brilho residual das explosões. As observações permitiram aos pesquisadores estudar esses fenômenos com maior precisão.

A missão foi planejada inicialmente para durar dois anos, mas permaneceu ativa por cerca de 22 anos. Com o passar do tempo, o atrito com a atmosfera terrestre provocou a redução gradual de sua altitude orbital. A atividade solar também contribuiu para acelerar a perda de altitude, ao aquecer e expandir as camadas superiores da atmosfera.

Tentativa de prolongar a missão não teve sucesso

Com a aproximação da reentrada, a Nasa contratou a empresa Katalyst Space Technologies para desenvolver uma operação de resgate que permitiria elevar novamente a órbita do observatório. A espaçonave responsável pela tentativa foi lançada em julho, mas apresentou problemas durante a aproximação ao Swift. Em agosto, a operação foi abandonada.

O observatório ainda realizou uma última sequência de observações antes de ser desligado pela Nasa em 20 de outubro. Desde então, a agência perdeu a comunicação com o equipamento.

John Nousek, professor de astronomia e astrofísica da Universidade Estadual da Pensilvânia e ex-diretor de operações da missão, lamentou o encerramento das atividades. Brad Cenko, pesquisador principal do Swift no Centro de Voos Espaciais Goddard, também destacou a importância científica do observatório.

A equipe responsável pela missão planeja se reunir nesta quarta-feira (4) para relembrar as contribuições do equipamento à astronomia.

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