Por Ana Sampaio
O Brasil registrou uma queda de mais de 1 milhão de matrículas na educação básica entre 2024 e 2025, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com base no Censo Escolar 2025. O total de estudantes caiu de 47.088.922 para 46.018.380 alunos, uma redução de 2,29% — a maior variação negativa registrada desde 2007.
A queda foi mais acentuada no ensino médio, que recuou cerca de 5,4%, passando de aproximadamente 7,79 milhões para 7,37 milhões de matrículas, com destaque para a rede pública, que registrou uma redução ainda maior. Nesse período, as redes estaduais — responsáveis por cerca de 80% dos estudantes dessa etapa — perderam cerca de 428 mil alunos, enquanto a rede privada cresceu levemente (0,6%).
A educação infantil também registrou redução, pela primeira vez desde a pandemia, com o total de matrículas caindo de 9,5 milhões para 9,3 milhões. Na pré-escola pública, houve uma queda de 3,2%, enquanto as creches públicas registraram ligeiro aumento. No ensino fundamental, a redução foi menor, de 0,75%, mantendo o ritmo de anos anteriores, influenciado por fatores demográficos.
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) também apresentou queda de 5,8%, somando 2,4 milhões de matrículas, e a educação indígena recuou levemente. Os dados divulgados não incluem detalhes como taxas de abandono ou reprovação que expliquem diretamente as causas específicas da redução geral.
Em contrapartida, houve avanços em áreas específicas: as matrículas em educação profissional no ensino médio aumentaram 24%, alcançando cerca de 3,19 milhões de alunos, e a educação especial cresceu 18,4%. Além disso, o país registrou um aumento no número de professores da educação básica, que passou de 2,36 milhões para 2,40 milhões.
Especialistas e autoridades apontam que parte da redução pode estar ligada a fatores como queda da população em idade escolar — especialmente nas faixas de 0 a 3 anos e de 15 a 17 anos — e melhora no fluxo escolar, com menos retenções e avanços mais rápidos de alunos de série.
O Censo Escolar 2025 evidencia um momento de transição demográfica e educacional no Brasil, com desafios importantes para as políticas públicas de educação e a necessidade de ações que garantam a permanência e a qualidade do ensino em todas as etapas da educação básica.
