Por Gaby Santana
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) registrou 436.644 ocorrências em Salvador ao longo de 2025. Desse total, 61.708 foram trotes o equivalente a cerca de 14% dos chamados recebidos no período. Os dados foram divulgados pelo Bahia Notícias, parceiro do Blog do Valente.
Criado para atender situações de urgência e emergência, o Samu é acionado em casos que envolvem risco iminente de morte, comprometimento de órgãos ou membros, ou sofrimento intenso que exige resposta imediata. Entre as ocorrências atendidas estão infartos, acidentes com múltiplas vítimas, crises respiratórias agudas, convulsões, quedas com suspeita de fratura e complicações obstétricas, além de casos clínicos, cirúrgicos, traumáticos, pediátricos e psiquiátricos.
Segundo o gerente-geral do Samu Salvador, Ivan Paiva, os trotes têm impacto direto na capacidade de resposta do serviço. Cada ligação é tratada como prioridade pela central, o que significa que uma equipe pode ser deslocada desnecessariamente enquanto uma ocorrência real aguarda atendimento.
“Quando se trata de um trote, além de mobilizar equipes e viaturas de forma indevida, colocamos em risco quem realmente precisa de atendimento urgente. Um minuto pode fazer toda a diferença”, afirma.
O acesso ao serviço é feito pelo número 192. Ao ligar, o cidadão é atendido inicialmente por um telefonista, que coleta as primeiras informações. Em seguida, o caso é encaminhado a um médico regulador, responsável por avaliar a gravidade da situação e definir a conduta que pode variar entre orientação por telefone, encaminhamento a uma unidade de saúde ou envio de ambulância.
Desde 2025, o Samu também passou a oferecer atendimento via WhatsApp em Salvador, pelo número (71) 3143-5630. O usuário deve enviar uma mensagem com “oi” para receber um link de chamada online com a central. O canal digital funciona de forma integrada ao 192 e busca ampliar o acesso da população, especialmente quando a ligação telefônica não é possível.
Para a gestão do serviço, o enfrentamento aos trotes depende de conscientização coletiva. Em um sistema estruturado para responder a emergências graves, cada chamada falsa pode representar atraso no socorro de quem enfrenta uma situação crítica.
